Tribuna do Leitor

Nadyr Serra... Saudades!


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Há dias em que solto minh’alma por aí à busca de sorrisos, de cores, nesse mundo, às vezes, tão cinza e, assim como Deus deu asas ao amor para que ele voe até o céu, deu também asas aos sonhos para que eles alcancem a luz, em meu último vôo no meio do arco-íris, sentado a sorrir, estava Deus: “Veja, quantas cores lindas”. Somente aqui tem essas cores, quem dera tivesse lá embaixo também”. Ele disse: “Basta saber procurar, de vez em quando Eu deixo nascer alguns homens especiais, são homens normais, mas ao vê-los você encontra as cores, a esperança e a luz”. E se foi.

Eu fiquei a imaginar se o tinha visto ou se era sonho dentro do sonho. Bah! Homens especiais nesse mundo! Valha-me Deus, que piada. E continuei o meu passeio que já não era mais tão passeio assim. Também, pudera, o que está acontecendo é lamentável: prepotência, egoísmo, guerra, fome... homens públicos que fazem da mentira a sua bíblia, que governam defendendo os próprios interesses e o povo à espera de que a vergonha renasça. E eu a planar, divagar... eis que numa cidade, uma dessas tantas, solitárias, esperançosas, cinzas... eu vi uma luz... minh’alma desceu, era uma avenida... Nações Unidas... isso mesmo, ainda há uma placa indicando o nome...

Ali tinha um ponto de luz, era um homem, pasmem amigos, este homem mais ou menos 80 anos, mas com sorrisos de criança, brincava com as flores, conversava com elas, beijava-as... Alma não costuma chorar, mas duas lágrimas caíram naquele jardim e regaram aquele homem-luz, homem-beija-flor, homem-esperança, mas, infelizmente, alma não pode parar e fui indo, olhando para trás, para aquela luz e novamente me encontrei com Deus. Acho que estava me esperando: “Encontrou, esse é um daqueles homens, os especiais”. E se foi novamente.

Fiquei ali a pensar que quem sabe esse mundo ainda possa reviver. Eu havia conhecido um homem-luz, homem-beija-flor, homem-especial. Nadyr Serra, você é esse homem. Mereceu todas as homenagens que lhe derem e muito mais, mas mesmo assim eu me pergunto: como pode num mundo tão pequeno como o nosso, ter vivido um homem tão grande como você? Saudades... estamos em prantos, mas o céu está em festa!

Carlos Iunes

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