São Paulo - O basquete brasileiro está mudando, pelo menos em sua estrutura. Depois do País ficar fora de duas Olimpíadas consecutivas, ver os campeonatos internos enfraquecidos e os clubes praticamente falidos, um movimento liderado pelo ex-jogador Oscar Scmidt, com apoio de praticamente todos os clubes de basquete brasileiros, inclusive Bauru, lançou há cerca de um mês a Nossa Liga de Basquetebol.
Anteontem à noite a nova entidade aprovou seu estatuto em uma reunião realizada na sede do Paulistano, em São Paulo. O encontro foi uma verdadeira convenção nacional do basquete, com representantes de clubes, arbitragem, jogadores e treinadores.
Um dos assuntos discutidos foi a criação de um novo campeonato, que teria a participação de todos os 24 times associados. Este número pode ser maior, já que a cada dia novos clubes manisfestam apoio à iniciativa e requerem filiação.
Uma das decisões da reunião de segunda-feira foi distinguir os sócios da Nossa Liga em três grupo: os fundadores, do qual fazem parte os 16 times que disputam o atual Campeonato Nacional, mais Bauru, Hebraica e Fluminense; os sócios-permanentes e os sócios-franqueados.
Os clubes que solicitarem filiação à entidade até o próximo dia 26 entrarão como sócios-permanentes. Já os clubes que fizerem a solicitação após esta data, para tornarem-se sócios-franqueados terão de pagar um valor ainda não definido e ainda serem apresentados por outros dois clubes sócios. Ainda assim, a aprovação só será feita por maioria em assembléia geral.
“Queremos organizar o setor. Somente com federações organizadas, com os clubes rganizados é que o basquete brasileiro vai realmente ficar forte”, afirmou José Martha, presidente do Bauru Basquete, que esteve na convenção, já que é membro do conselho fiscal da liga que tem como objetivo proporcionar maior independência dos clubes em relação à Confederação Brasileira de Basquete (CBB).
Os clubes querem maior participação na organização do Campeonato nacional, como escolher as emissoras de TV que vão transmitir o evento, definir as regras para contrato com o material de jogo e obter lucro maior na publicidade estampada nos ginásios.
Apesar de um inevitável confronto com a CBB, os integrantes da nova liga têm procurado demonstrar que não querem ser uma oposição à confederação ou tirar poder dela, mas que buscam uma alternativa financeiramente viável para os clubes, que querem “simplesmente organizar um campeonato”, como afirma Oscar.
“Não tem nada desenvolvido ainda, nenhuma fórmula de disputa ou número de times que aprticiparão, mas o certo é que faremos um campeonato, que deve ter de oito a nove meses de duração e Bauru vai participar”, disse José Martha.
Um campeonato que reúna os associados da nova liga, mesmo que não seja reconhecido pela CBB, seria equivalente, ou mais forte, que o atual Nacional.
A CBB ainda não fez nenhum pronunciamento sobre a liga, mas pode reconhecê-la, caso a oposição consiga vencer as eleições na entidade, marcada para o próximo dia 2 de maio.
O atual presidente da CBB, Gerasime Nicolas Bozikis, o Grego, foi convidado para a reunião de segunda-feira, porém, não compareceu, mas combinou uma nova data com Oscar para expor suas idéias.
A liga, entretanto, terá de buscar reconhecimento da CBB, pois, caso contrário, os clubes não poderão ter jogadores na Seleção Brasileira ou participar da Liga Sul-Americana de Clubes, por exemplo.
Oscar, que presidirá a liga, parece não temer esta situação. “Pior do que está não tem como ficar. Se tudo der errado, pelo menos teremos oportunidade de mandar no nosso próprio ginásio. A CBB ensinou para nós que não precisamos dela, e a Liga só não dará certo se os clubes forem medrosos. Em dois meses, podemos fazer o que não foi feito em 70 anos. Até hoje, estávamos desorganizados, trabalhando no basquete cada um por si. Agora temos uma liga e estamos prontos para fazer o basquete decolar”, disse Oscar.
Na mesma reunião de segunda-feira foi criada a Associação de Jogadores, que deve ter a cestinha Janeth Arcain como presidente. “Quero deixar claro que a associação é independente da liga, é uma coisa que nós, jogadores, pensamos há muito tempo, mas que só agora tivemos um momento oportuno para colocar em prática”, afirmou a cestinha.