O racismo é um dos piores defeitos do ser humano, ele está inserido no preconceito religioso, étnico e de povos. Ele surge pela vaidade de uma pessoa ou de um povo se imaginar superior ou inferior ao outro desigual, então vemos no racismo as diferenças religiosas, comunitárias, de raças, de condição social, econômica... Lembro-me quando o Pelé, rei do futebol, dizia que no Brasil não havia preconceito de cor e sim econômica.
O problema é grave, e muitas vezes acaba em guerras, como vemos na Irlanda do Norte, entre protestantes e católicos, como vimos na Alemanha com o nazismo contra os judeus, negros, ciganos, homossexuais, e outras minorias, como na história tivemos a inquisição, as cruzadas. Enfim, o racismo é algo a ser combatido de todas as maneiras, começando pelo ecumenismo religioso e com educação nas escolas onde se mostre que todos os seres são iguais em desenvolvimento, basta que estudem e evoluem, para termos grandes pensadores, grandes pesquisadores, grandes cientistas em todas as raças e religiões.
Agora vamos para um campo de jogo de futebol, um esporte feito para a confraternização entre os povos, um esporte que não vê diferenças entre ricos e pobres, entre negros e brancos, um esporte que coloca lado a lado membros de diversas religiões, um esporte que busca a fraternidade universal, e o que vemos na disputa que houve no jogo efetuado em São Paulo, entre o Quilmes da Argentina e o time do São Paulo Futebol Clube, onde o jogador Leandro Desábato foi preso dentro do campo de futebol acusado de racismo pelo jogador que tem o apelido de Grafite teve efeito exatamente contrário, a desunião dentro do campo que traz ódios e ofensas entre povos e torcidas.
Há de se perguntar se num jogo de futebol as ofensas pessoais, as agressões morais, as agressões físicas devem ficar no campo esportivo, restrito ao palco do jogo, na responsabilidade do árbitro da partida, na responsabilidade da entidade organizadora do evento, no julgamento na esfera esportiva, ou deve extrapolar para o campo policial e jurídico. Se a moda pegar, qualquer pontapé ou xingamento poderá ser denunciado como agressão física ou moral na delegacia mais próxima ao local do jogo, e depois, a suposta vítima, pedir danos morais ao suposto agressor.
Quem vai querer jogar futebol ou outros esportes em tais circunstâncias, por qualquer xingamento poderá ter que desembolsar muito dinheiro em caso de uma sentença desfavorável no judiciário por danos morais ou agressão, além de ter de gastar com advogado para tentar se defender?
O esporte veio para unir e não para desunir, os conflitos existentes na rivalidade devem ser condenados pelo meio esportivo e nunca por outros meios fora dele, o Brasil deve pedir desculpas à Argentina, para que possamos irmanar por este esporte e outras manifestações culturais. Senão, ao invés de haver integração, os times e seleção de outros países simplesmente não vão querer disputar nada no Brasil e em países que tenham a mesma condição, e a rivalidade dos povos ao invés de diminuir se tornará maior, e o futebol perderá sua principal finalidade.
O autor, Isaac Sayeg, é jornalista e escritor