A Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) demitiu neste final de semana o coronel Cid Monteiro de Barros da direção da unidade. Desde a inauguração da Febem de Bauru, em 2002, esse foi o quinto diretor a ser substituído.
No lugar do coronel aposentado, o funcionário Manoel Fernando Balsalobre, coordenador de equipe em Bauru, assumiu interinamente o cargo anteontem. Até o fechamento desta edição, segundo a assessoria de imprensa do órgão, a presidência da Febem não havia selecionado o novo diretor da unidade.
A demissão de Barros foi publicada no Diário Oficial do Estado no último sábado. De acordo com a assessoria de imprensa, a saída do diretor, que assumiu a unidade em outubro do ano passado, teria sido motivada por um “remanejamento de rotina”. A assessoria informou ainda que o diretor teria manifestado a vontade de se desligar da unidade.
Consultado pela reportagem, o ex-diretor apresentou outra versão para o episódio e afirmou que não foi informado sobre os motivos que o levaram a ser afastado do cargo. Entretanto, avaliando sua gestão, ele tentou encontrar causas para seu afastamento.
Barros acredita que as últimas ocorrências violentas registradas dentro da unidade neste ano, como o assassinato de um adolescente de 17 anos, fuga em massa e rebelião teriam motivado sua saída. “Baseados nisso, eles simplesmente acharam melhor substituir (o diretor)”, concluiu.
O coronel aposentado afirma que não foi surpreendido com a demissão. “Eu tinha duas saídas. Ou pedia demissão ou então aguardava isso. Na verdade, há um mês eu já estava percebendo que havia alguma movimentação nesse sentido”, diz.
Imobilidade
O ex-diretor disse que tentou realizar mudanças na estrutura da unidade de Bauru, como alterações no quadro de funcionários e implementação de cursos profissionalizantes, mas não teria encontrado respaldo da instituição.
“O sistema da Febem é especialmente burocrático. O diretor tem um poder limitado. Ele tem muita responsabilidade, mas poder mesmo não tem”, avalia.
O ex-diretor admite que enfrentou problemas com funcionários. Na opinião dele, há servidores na unidade que não têm perfil para atuar com menores infratores e deveriam ser afastados da função. Para o ex-diretor, sem um quadro suficiente e motivado de funcionários é difícil controlar a unidade.
O coronel aposentado também destaca a necessidade de mais investimentos na unidade, como a implantação de cursos profissionalizantes.
Na avaliação de Barros, a estrutura de funcionamento da Febem não tem dado poder de ação para os diretores. Ele questiona a eficácia da substituição de dirigentes, dentro do atual sistema.
“O diretor da Febem teria que ter poder para pelo menos suspender funcionários, substituí-los, removê-los”, diz. “(Hoje) o diretor é substituído, o novo entra com boa vontade, mas encontra empecilhos que dificultam seu trabalho”, diz.
A assessoria de imprensa da Febem afirmou ontem que o diretor interino da unidade não forneceria entrevista.
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Marcas
A exemplo de outros diretores da Febem de Bauru, o coronel aposentado Cid Monteiro de Barros também enfrentou problemas. O mais grave foi a morte de um adolescente dentro da unidade, no final de fevereiro deste ano. Jonatan Bueno Garcia, de 17 anos, foi morto com golpes de um objeto pontiagudo, durante uma briga de internos. Além do adolescente morto, outros três foram agredidos na ocasião.
No final de março, a direção também enfrentou fuga em massa e rebelião. No dia 21, 15 internos saíram pelo portão principal do prédio, após quebrar dois cadeados com uma barra de ferro. Um dia após a fuga em massa, 24 adolescentes da unidade se rebelaram, alegando falta de informação quanto à situação processual. Três funcionários foram mantidos reféns e parte da unidade foi destruída.
Durante a gestão de Barros, parte dos funcionários também entrou em estado de greve para reivindicar condições mais adequadas de trabalho.