Jaú - A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Jaú (47 quilômetros a leste de Bauru) está investigando uma denúncia de crime sexual contra um calçadista da cidade. Paulo Ignácio Cruz, 32 anos, é acusado de abusar sexualmente de pelo menos seis crianças entre 6 e 9 anos.
Ele está preso na cadeia de Igaraçu do Tietê. Antes, foi ouvido pelo delegado e já teria admitido práticas sexuais com as crianças, segundo autoridade policial.
A denúncia chegou até a polícia por meio dos pais de quatro menores. Eles compareceram ao plantão policial no domingo passado. De acordo com o relato dos filhos, o calçadista reunia a criançada na casa dele para jogar videogame e aproveitava a situação para acariciá-los e fazer sexo oral. Em um dos menores, o calçadista teria iniciado uma penetração anal, mas teria parado quando a criança reclamou de dor e começou a sangrar.
Na ocasião, a mãe chegou a levar o filho ao médico, mas nem ela nem o médico desconfiaram que o menino poderia ter sido vítima de atentado violento ao pudor. O diagnóstico do médico foi que a criança estava com vermes, por isso sangrava quando tentava eliminar as fezes.
Com base no boletim de ocorrência registrado no plantão policial de domingo à noite, o delegado Edson Maldonado iniciou as investigações logo na segunda-feira de manhã. Os garotos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) para exame, mas todos os resultados deram negativo. Ou seja, as análises não comprovaram conjunção carnal, nem mesmo na criança que teria sofrido um atentado violento ao pudor.
No entanto, Maldonado ressalta que o crime teria ocorrido há alguns meses e não deixou sequelas físicas no menor.
Linchamento
Enquanto tentava colher evidências do crime para pedir a prisão temporária do acusado, o delegado recebeu uma ligação, anteontem à tarde, informando que os moradores queriam linchar o calçadista. Eles estavam esperando o acusado voltar para a casa, no Jardim Padre Augusto Sani.
A polícia se dirigiu para o local e chegou praticamente junto com o ônibus que trazia o calçadista. Cruz foi levado para a delegacia, onde prestou depoimento das 19h às 21h. Segundo Maldonado, o acusado admitiu ter praticado atos sexuais com as crianças. Além das carícias e da tentativa de sexo anal, teria havido também sexo oral.
Na casa do acusado, nada foi encontrado que levantasse suspeitas sobre os atos supostamente praticados por ele. Segundo o delegado, foram achadas algumas fotos das crianças que freqüentavam a casa do calçadista, mas nenhuma que o incriminasse.
Cruz contava com a confiança dos pais dos menores. Tanto que dois meninos teriam conseguido autorização dos pais para dormir na casa dele. O calçadista é casado e tem um filho recém-nascido.
Os abusos sexuais teriam começado há cerca de sete meses, quando Cruz estava desempregado. A mulher saía para trabalhar e ele ficava em casa. Mesmo depois de ter conseguido um emprego em uma fábrica de calçados, os atos continuaram, embora com uma frequência bem menor. A última vez que Cruz teria abusado de um menor foi há cerca de 20 dias.
Segundo o delegado, o calçadista alegou em seu depoimento que não conseguia se controlar e não tinha forças para parar com os abusos. Cruz vai responder criminalmente por corrupção de menores e atentado violento ao pudor, cuja pena pode chegar a 15 anos de prisão, de acordo com Maldonado.
Em Igaraçu do Tietê, Cruz está detido em uma cela separada dos demais presos, segundo informação da Polícia Civil. A cadeia tem capacidade para 48 presos e está com 80. A superlotação foi agravada após a desativação temporária da cadeia de Barra Bonita para reformas. Ela continua fechada e os presos ainda estão sendo encaminhados para Igaraçu.