Tribuna do Leitor

Racismo em campo


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Em casa sempre digo que tudo que está embalado, dentro de alguma embalagem, deve ser ainda resolvido. Pense em alguma coisa dentro de uma embalagem. Pense numa caixa de “mistura para bolo” ou na sacolinha que você trouxe do mercado. As coisas que estão lá dentro ainda não foram devidamente resolvidas. O bolo ainda não é bolo e o alimento ainda não é alimento. Não é?

A meu ver, a proposta do sr. Isaac Sayeg, jornalista e escritor que nos escreve na coluna Opinião desse jornal no dia 20/04/2005, tendo como título “Racismo e futebol”, é deixar o assunto devidamente embalado, como sempre esteve.

“Ele surge pela vaidade de uma pessoa ou de um povo se imaginar superior ou inferior ao outro desigual...” Não seria pura ignorância sobre a real e inquestionável igualdade entre os homens?

Em sua proposta, o campo de futebol estaria além do alcance do Ministério da Justiça, o que é um absurdo.

Nos esportes, os jogadores devem se limitar às regras do jogo e não usar de racismo e outras ferramentas tão habituais em jogos com os vizinhos do sul.

A nossa sociedade vê o racismo de forma embalada, dentro de uma gaveta bem fechada. Quando ela se abre, só por um instante, o que temos que fazer? Não é resolver mostrando e educando a sociedade?

O que ele propõem é simplesmente pedir desculpas a um racista argentino que não sabe jogar futebol sem ofender e magoar seu adversário esportivo.

Devemos, toda vez que abrirmos esse pacote sujo, resolve-lo de imediato. Chega de ouvidos surdos. A sociedade deve evoluir pelos fatos e os fatos não devem ser ignorados. A justiça, quando aplicada, evolui e se mostra viva, como ferramenta para a evolução da ética social. Lei que não se “usa” é morta.

Antonio Sergio Sanches - RG 9827168

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