Dueto de berimbau e harpa paraguaia e forró com música tradicional japonesa são apenas exemplos da mistura inusitada de estilos e instrumentos no espetáculo “Neurópolis”, que será apresentado hoje, no ginásio do Serviço Social do Comércio (Sesc).
O músico Lívio Tragtenberg reuniu 19 “músicos de rua” de São Paulo e formou a Orquestra de Músicos das Ruas de São Paulo. Entre eles, estão dois percussionistas maranhenses que tocam tambores de crioula; duas senhoras japonesas que tocam koto e sangueme, instrumentos de cordas antigos, típicos do Japão; um boliviano que toca zampona (flauta andina); um quinteto paraguaio que tem harpa paraguaia e guitarón (contrabaixo paraguaio) e cujos músicos cantam em guarani além de saxofonista e trombonista.
“É uma idéia antiga minha de juntar os músicos da cidade que tocam nas ruas com músicos de comunidades de imigrantes. Eu fiz uma pesquisa na cidade e achei, por exemplo, dois emboladores nordestinos que tocam na Praça da Sé, sambistas do Rio de Janeiro que cantam na rua 15 de Novembro, bolivianos e paraguaios que tocam em restaurantes e praças. Mas as pessoas vão ouvir algo diferente do que eles tocam na praça”, explica Tragtenberg.
São mais de 30 instrumentos no palco. O resultado, por exemplo, é um nipotango (tango japonês). “Para mim, a música da cidade é essa, e não a que toca em rádio, na TV. É a música dos imigrantes, que praticam em casa e tocam sua tradição cultural, e a música dos músicos de rua, que são a alma da cidade”, argumenta o idealizador de “Neurópolis”.
Para quem fez cara feia achando que a música da orquestra é complicada, Tragtengerg garante que não. A música é simples. As junções é que são insólitas e inéditas.
O espetáculo conta também com exibição de vídeos de Kiko Goifman, responsáveis pela narração em cena. “Eu narro essa cidade nervosa da qual esses músicos fazem parte. O público mergulha numa atmosfera visual e sonora de uma cidade que mistura tudo isso”, frisa o diretor.
Local
O show já foi apresentado em São Paulo e em Miami, onde a orquestra foi composta por músicos latinos que moram na cidade. A idéia de incorporar músicos do local em que a peça está sendo apresentada é essencial para Tragtenberg. Em São José do Rio Preto e em Araraquara, acordeonistas cegos tocarão com o grupo. Em Santos, será um percussionista e, em Santo André, um guitarrista. No fim do ano, haverá uma apresentação em Berlim.
Em Bauru, o convidado do “Neurópolis” é o músico Zé Paulo, que tocará cítara em três números da orquestra e apresentará uma música própria, “Embauruzado”, cantando e tocando violão, com o acompanhamento da orquestra. “Ouvi o CD, por indicação do Sesc, e acho que tem qualidade. O trabalho dele sai do óbvio”, avalia.
Para Zé Paulo, a oportunidade será ímpar. “É maravilhoso. Eu sou músico da noite e tenho poucas oportunidades de trabalhar esse outro lado. Eu sempre gostei de músicas de outras partes do mundo e gravei um CD que mistura música indiana e árabe com música brasileira”, argumenta.
• Serviço
O espetáculo “Neurópolis” será apresentado hoje, às 21h, no ginásio do Sesc. Os ingressos custam R$ 10,00 e R$ 5,00 (matriculados, estudantes e maiores de 60 anos). O endereço é avenida Aureliano Cardia, 6-71. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (14) 3235-1750.