O “rabo de galo” - como ficou popularmente conhecido a adição de álcool no tanque de carros originais a gasolina - é hábito cada vez mais comum entre os motoristas brasileiros. Mas a prática, além de causar severos danos mecânicos nos veículos, também tem provocado “dramas” na hora da compra de carros usados: como saber se o automóvel não tornou-se uma verdadeira “bomba-relógio” prestes a estragar devido ao uso indiscriminado de álcool na gasolina? Ou como ter certeza se o dono que o quer vender não era adepto freqüente do “rabo-de-galo”?
Infelizmente, as respostas a estas questões não são favoráveis aos compradores. Segundo o instrutor automotivo Reinaldo Genovez, da unidade bauruense do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), é impossível descobrir tais fatos sem desmontar o motor. “E, muitas vezes, nem isso é suficiente para se chegar a um veredito”, frisa.
O instrutor explica que um dos indícios suspeitos do “rabo-de-galo” é o fato do motor estar mais “limpo”. “Isso porque o álcool não tem a tendência de carbonizar (acumular sujeiras) como a gasolina. É algo que dá apenas para desconfiar e não prova nada, pois o dono pode estar usando ou ter usado gasolina aditivada, que tem mais “detergentes” que a comum, ou um aditivo adicional na gasolina justamente para prevenir-se da carbonização.”, ressalta.
Para Genovez, só é possível diagnosticar com segurança os efeitos nocivos do “rabo-de-galo” diante de indícios muito evidentes, que normalmente surgem com o agravamento de problemas mecânicos. Entre os danos, o instrutor cita a corrosão de componentes internos do carburador e das velas.
Já no caso de automóveis injetados - equipados com injeção eletrônica de combustível -, a missão de diagnosticar os defeitos oriundos do “rabo-de-galo” é bem mais complicada. “Trata-se de um sistema com muitos componentes selados, o que não permite visualização interna “Geralmente, muitos só descobrem isso tarde demais, quando o desempenho do automóvel já está abaixo do normal ou pára de uma vez”, enfatiza.
Genovez lembra que os carros bicombustíveis originais de fábrica são as maiores provas de que a prática do “rabo-de-galo” sem qualquer adaptação mecânica é hábito errado. “As montadoras não gastariam milhões de dólares à toa para equipar seus carros com sistemas capazes de rodar com os dois combustíveis sem problemas”, salienta o instrutor.
____________________
Prevenção
Já que é difícil saber se um veículo foi ou está para tornar-se uma “vítima” do “rabo-de-galo”, o melhor caminho a seguir após adquirir um carro usado a gasolina é prevenir-se do “efeito alcoólico”. Para o instrutor Reinaldo Genovez, do Senai/Bauru, a adoção de procedimentos básicos e essenciais evita transtornos.
Os principais são trocar o filtro de combustível e solicitar a um mecânico de confiança inspecionar e, caso necessário, substituir o pré-filtro da bomba elétrica de combustível, equipamento presente apenas em carros com injeção eletrônica. “São componentes baratos cujas vidas úteis costumam ser as mais afetadas pelo ‘rabo-de-galo’. Se for um carro popular, ambos custarão cerca de R$ 40,00”, afirma Genovez.
E acrescenta: “Quando se usa o álcool, eles entopem com muito mais facilidade, pois este combustível tem a tendência de formar uma espécie de nata que vai se impregnando nesses componentes. É por essa razão que os filtros dos automóveis originalmente a álcool devem ser trocados mais cedo que os a gasolina.”
Além disso, o instrutor orienta que o novo dono do veículo solicite ao mecânico para checar o funcionamento da bomba elétrica de combustível e efetuar a limpeza dos bicos injetores, do tanque de combustível e da tubulação responsável por levar a gasolina do tanque para os carburadores ou bicos injetores.