Percorreu-se uma longa caminhada até se chegar ao atual voto eletrônico. Houve o tempo das cédulas eleitorais, que ficavam dentro da cabine para serem colocadas nos envelopes antes de ir para a urna. Cada cabo eleitoral que entrava na cabine para votar sumia com as cédulas dos adversários e deixava as do seu candidato. O estoque de cédulas na cabine variava diversas vezes durante a eleição. Muito se discutiu no Congresso até se chegar à cédula única, na qual se colocava o número dos candidatos. Aos opositores da idéia, Carlos Lacerda dizia que “ todo aquele que sabe jogar no bicho sabe votar na lista única”. Uma das acusações mais bizarras contra as velhas cédulas surgiu por parte do deputado Rui Santos, ao dizer que, numa Junta de Apuração na Bahia, um escrutinador que selecionava as chapas de apuração para deputado, de vez em quando passava uma cédula de deputado para o lado das chapas para vereador, alegando engano por terem ido parar lá. Soube-se depois que este escrutinador tinha um cunhado candidato a vereador.
- O que ele fazia a cada momento era passar para o outro lado cédulas do seu cunhado - arrematou o deputado.
História relatada por Rui Bertoti