A região norte continua sendo palco de um constante adensamento populacional, mas sem o devido acompanhamento de benfeitorias básicas relativas a infra-estrutura. Com isso, o cenário de ruas sem asfalto, carência de equipamentos urbanos como prontos-socorros, creches, escolas e áreas de lazer acabam inibindo o surgimento de uma rede de serviços que naturalmente acaba se instalando em regiões bastante povoadas.
O comerciante Paulo de Souza Lima,, 50 anos, morador no Núcleo Fortunato Rocha Lima há seis anos, revela que os principais anseios dos moradores do bairro são a chegada de benfeitorias promovidas pelo poder público e a regularização das propriedades. Construído em forma de mutirão, a partir do Projeto de Desfavelamento, o núcleo Fortunato Rocha Lima tem 500 casas ainda sem a documentação de posse definitiva. “Se tivesse (infra-estrutura), as pessoas comprariam mais aqui no bairro”, avalia.
Um dos únicos consolos para muitos moradores de bairros daquela região - e para os poucos comerciantes que se instalaram no local - é a duplicação da rodovia Aviador João Ribeiro de Barros (Bauru-Marília). É o caso do comerciante Paulo de Souza Lima, que mantém no Núcleo Fortunato Rocha Lima dois empreendimentos: um ferro-velho à beira da rodovia e um bar na principal via do bairro.
Mesmo com a atual carência de infra-estrutura, o comerciante já faz planos de ampliar seus negócios na região. Atrás do balcão de seu pequeno bar, onde vende pão, leite, latarias, bebidas e petiscos, Lima conta os dias para ver concluídas as obras de duplicação da Bauru-Marília. “Isso vai melhorar o bairro, principalmente se tiver um trevo por aqui”, diz, ao revelar sua intenção de abrir uma borracharia para aproveitar o suposto aumento no tráfego de veículos na região.
Região de potencial
A cantora profissional Solange Maria Facin, 49 anos, moradora no Parque Roosevelt há 10 anos, admite que “gosta muito do bairro”, apesar de suas carências básicas. “Aqui falta lanchonete, banco 24 horas, farmácia, lotérica e serviços como manicure e cabeleireiro”, enumera, ressaltando que as poucas atividades comerciais presentes na região são as relacionadas ao ramo de alimentação, como bares e pequenos mercados.
“Precisamos de mais asfalto, o que traria benfeitorias e serviços. A prefeitura deveria investir mais no bairro, que sequer tem um centro comunitário”, completa Facin. Ela também apóia a teoria de que a região poderá se tornar uma nova entrada para a cidade a partir da duplicação da rodovia Bauru-Marília.
A cantora lembra ainda que a região abriga uma grande área doada à Universidade do Sagrado Coração (USC) destinada à construção de um hospital de clínicas. A área foi doada na gestão do prefeito Tidei de Lima, mas a própria USC admite, através de sua assessoria de imprensa, que a elaboração de qualquer projeto do hospital dependeria da urbanização daquela região da cidade.
A comerciante Jane Natalino de Souza, 28 anos, proprietária de um minimercado no Parque Roosevelt, lembra que chegou ao bairro apenas para morar, mas decidiu montar o negócio seguindo os seguidos apelos dos moradores da região que reclamavam a falta de um comércio do tipo mais próximo de suas residências. Ela admite, também, que o bairro é muito carente na oferta de prestação de serviços e comércio. “Aqui falta farmácia, videolocadora, sorveteria, casa lotérica e postos bancários”, enumera, lembrando que pagar as contas precisa se deslocar até a Bela Vista.
Mesmo enfrentando problemas de infra-estrutura - a rua onde está instalada, a mais movimentada do bairro e rota do ônibus circular, não é asfaltada - e de segurança - só em 2004, seu estabelecimento foi assaltado seis vezes -, Souza diz que vai insistir com o negócio que ela qualifica de “pronto-socorro das pessoas”. “Sou perseverante, um dia sei que vai melhorar”, diz.
O arquiteto José Xaides de Sampaio Alves, professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Unesp-Bauru, concorda com os moradores da Zona Norte e aponta a região como dotada de “potencial extraordinário” de desenvolvimento. “Além da duplicação da rodovia, que transformará o local como uma nova entrada da cidade para quem chega de cidades como Lins, Marília e Araçatuba, o região está próxima do distrito industrial 3, que pode se transformar num importante pólo de geração de emprego e renda”, explica.