O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região realiza assembléia amanhã, a partir das 19h, para decidir sua desfiliação da Central Única dos Trabalhadores (CUT). A maior parte dos diretores do sindicato tem demonstrado insatisfação em relação às posições adotadas pela central e já sinaliza favoravelmente à proposta de rompimento. A informação é do diretor Marcos Tadeu Lenharo.
Assim como ele, outros diretores alegam que a CUT tem atuado em defesa das propostas e política do governo federal, em detrimento dos direitos e interesses dos trabalhadores. Discordam especialmente da forma como foram conduzidas as discussões sobre a Reforma da Previdência e do posicionamento favorável da CUT às reformas sindical e trabalhista, que tramitam em nível federal.
“A visão da maioria da nossa diretoria é de que a Central hoje é governista, totalmente atrelada aos interesses do governo federal. Ela está ausente no seu propósito de representatividade dos trabalhadores”, diz Lenharo, destacando que dos 30 diretores do sindicato, 85% são favoráveis à desfiliação.
O diretor Roberto Machini, que integra a corrente minoritária, acredita que a desvinculação da CUT fragilizará o movimento sindical bancário. “A divisão fragmenta, dispersa os trabalhadores. Nós (do sindicato de Bauru), por exemplo, estamos no quadro da Confederação Nacional dos Bancários (CNB) da CUT, que conta com 400 mil bancários. A proposta de se desfiliar da CUT automaticamente nos retira desse quadro e nos isola politicamente aqui em Bauru”, observa.
Na visão da diretora Leonilda de Campos, a CUT tem se descaracterizado como entidade independente nos últimos anos, atrelando-se aos interesses da corrente majoritária do Partido dos Trabalhadores (PT). Para a dirigente, com a chegada de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, esse quadro teria se acentuado.
“Quem indicou o presidente da CUT (Luiz Marinho), por exemplo, foi o próprio Lula. Pela primeira vez isso aconteceu na história do movimento sindical”, diz.
Na assembléia de amanhã, todos os bancários, associados ou não ao sindicato, terão direito a voto. Para ser aprovada a desfiliação, será necessário atingir a maioria simples dos votos.
Outras entidades representativas, como o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm) e a Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp), já se desvincularam da CUT no ano passado (leia mais ao lado).
Elas apóiam, assim como o Sindicato dos Bancários, a emergência de uma nova central sindical que está em fase de criação, chamada de Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas).
Atualmente, todos sindicatos filiados à CUT repassam à Central 10% de sua arrecadação.
Farpas trocadas
O coordenador da CUT em Bauru, Francisco Wagner Monteiro, classificou como “levianas” as críticas que acusam a CUT de atuar de forma partidária, como instrumento do governo federal.
“Na verdade, o que eles (sindicatos que se desfiliaram) queriam é que a CUT virasse o braço esquerdo do PSTU. E como a CUT não é braço esquerdo ou direito de nenhum partido político eles estão se desfiliando. Quando éramos todos oposição unidos pela central única - PT , PSTU, PSB e outros partidos de esquerda - não havia esse problema”, defende o coordenador, para quem a CUT continua sendo uma central autônoma e independente, que representa as reivindicações da classe trabalhadora. “Nós apoiamos esse governo (do PT), mas criticamos aquilo que está errado”, pondera.
Para Monteiro, esse processo de desfiliação está restrito a alguns sindicatos e não significa que esteja ocorrendo enfraquecimento da CUT em nível nacional. “As desfiliações que estamos tendo são dos sindicatos ligados ao PSTU. São alguns segmentos de servidores”, diz.
Segundo Lenharo, há mais de 200 sindicatos no Brasil que já se desfiliaram ou que estão discutindo esse processo de ruptura com a CUT.
Atualmente, uma das principais divergências entre representantes sindicais e a CUT gira em torno das discussões sobre a Reforma Sindical. O projeto de reforma prevê a extinção do imposto sindical com a criação de um novo sistema de sustentação financeira dos sindicatos.
• Serviço
A assembléia será realizada a partir das 19h, na sede do sindicato, que fica na rua Marcondes Salgado, 4-44.
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Em série
Os bancários de Bauru não são os primeiros a demonstrar insatisfação com a CUT. Sob alegação semelhante, no final do ano passado, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm) já havia definido a desfiliação da central sindical em assembléia.
“Com a eleição do governo Lula, a CUT se tornou um braço direito do governo federal. Ela já não atende mais aos anseios dos trabalhadores”, diz o diretor do Sinserm José Roberto Batista.
Outras entidades representativas como o Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo (Sintusp), Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Estadual Paulista (Sintunesp) e Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp) decidiram pelo rompimento recentemente.
A Sinserm e Adunesp também estão apoiando a criação de uma nova central sindical, organizada pela Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas).