Tribuna do Leitor

Cor e raça do aluno na escola pública


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Em reportagem de 25/03/2005 da jornalista Ieda Rodrigues, deste conceituado jornal na sua missão de promover a cidadania democratizando o acesso à informação à população em geral, enfatizou-se assunto referente à questão racial no Brasil, que é visto dentro de parâmetros da “democracia racial” nos vários segmentos da sociedade brasileira, incluindo, é claro, o que ocorre em Bauru em termos de racismo aos afro-descendentes. Entendemos que a portaria do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), n.º 156, de 20/10/2004, onde solicita informação aos alunos e pais responsáveis sobre cor e raça, vem de encontro das políticas afirmativas do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Foi criada em março de 2003 a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). Somente com dados concretos em mãos poderá o Governo Federal definir as políticas públicas voltadas para a população pobre, segmento este onde grande número de negros e pardos encontra-se excluídos da oportunidade de crescimento educacional e profissional. Sabemos, através do IBGE local, que, no último censo, foi detectado em Bauru que 48% dos pesquisados se declararam negros e 17,6% como pardos. Assim, nossa cidade possui 22,4% de afro-descendentes dentro sua população ativa.

Lendo a reportagem e pesquisando outras etnias como brancos, negros, pardos, japoneses e indígenas, conclui-se que a maneira como a pesquisa foi implementada com os alunos e pais ou responsáveis foi inadequada, causando surpresa, indecisões, medo e indiferença. É que a Secretaria de Estado da Educação deveria discutir a pergunta com a população estudantil, através dos grêmios ou mesmo em reuniões de pais para depois aplicá-la. Faltou o devido esclarecimento, isto é, não ocorreu a participação popular estudantil (saudade da UNE), mesmo porque o assunto é polêmico quando se reporta cor e raça no formulário e aparece “categorias” branca, “preta”, pardo, amarela e indígena, o que gera confusão por parte de alunos quanto à sua condição.

O Conselho Municipal da Comunidade Negra de Bauru vem acompanhando os fatos ocorridos em nossa cidade de discriminação ou racismo e denunciando às autoridades policiais e Ministério Público local para as devidas providências. Agradecemos o apoio da mídia, em especial do Jornal da Cidade, que na sua missão tem oferecido apoio à causa do afro-descendente, enfocando a questão racial nos diversos segmentos da nossa comunidade e do Brasil. “Não queremos facilitar o espaço para o negro estar na escola. O que queremos é criar oportunidade para ele estar lá”.

Denise Pacheco - Seppir. (Gaspar Reis Moreira, membro de Conselho Municipal da Comunidade Negra de Bauru/SP. CRESSI/SP – 6647 RG: 3.229.793)

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