Bairros

Bauru é candidata a estudo de água subterrânea do CRH

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A reserva de água subterrânea de Bauru figura entre as candidatas ao estudo a ser realizado pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CRH), que confirmará indícios de superexploração e contaminação. Há dez dias, o órgão deliberativo e normativo também listou como áreas potencialmente críticas as das regiões de São José dos Campos e Jacareí, Campinas e Jundiaí, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Catanduva.

A região metropolitana de São Paulo está entre as concorrentes e com forte chance de ser eleita pela câmara técnica do CRH, que se reunirá até a segunda quinzena do próximo mês para definir por qual área o estudo terá início. O conselho dispõe de R$ 600 mil para começar o trabalho, que deve contemplar, inicialmente, até três áreas. A estimativa é do geólogo do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), Gerôncio Rocha.

De acordo com ele, que também é coordenador da câmara técnica de água subterrânea do CRH, Bauru está entre as selecionadas por causa de uma anomalia geológica envolvendo o Aqüífero Guarani. Enquanto nas áreas vizinhas ele tem cerca de 500 metros de profundidade, na região de Bauru é superficial (entre 50 e 100 metros de profundidade). A situação o torna vulnerável a contaminações, decorrentes da perfuração de poços para captação de água.

“É preocupante. Foram estabelecidas três etapas (de identificação de áreas críticas). Primeiro, (foram levados em conta) indícios sobre exploração ou contaminação. Depois, com base nos estudos existentes da Companhia Estadual de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb), do DAEE e da Secretaria Estadual (de Saúde), os elementos técnicos serão verificados. Se apontarem para confirmação, será realizado estudo detalhado de natureza confirmatória”, explica Rocha.

Se a análise atestar o problema, também indicará quais medidas devem ser adotadas para revertê-lo. As ações devem estabelecer disciplina rigorosa para concessão de outorgas para uso de água subterrânea. No entanto, antes de implementadas, as diretrizes serão levadas e discutidas nos comitês de bacias hidrográficas de cada região (formado por representantes de órgãos estaduais, municipais e da sociedade civil, assim como o CRH).

Mas até lá, os municípios devem aguardar a conclusão do estudo, o que deve levar cerca de um ano. O resultado pode reiterar a ausência de indícios de contaminação da água subterrânea na região de Bauru. Mas independentemente do que indicar, o diretor-executivo do Instituto Ambiental Vidágua, Ivan Alexandre Ferrazoli De Marche, é favorável à realização do estudo.

“Ele apontaria a realidade. Como, por exemplo, o número real de poços perfurados no município, sua vazão, profundidade, distância de um para outro, qualidade de água e como é utilizada”, conclui.

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Poços ilegais são os principais vilões

A perfuração de poços ilegais na região de Bauru representa o principal risco de contaminação do Aqüífero Guarani. Atualmente, estima-se que 400 deles estejam funcionando sem autorização do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), entre a área urbana e rural de Bauru.

Somente os pertencentes a indústrias, empresas, hotéis e restaurantes devem somar cerca de 120, porém, apenas 10% estão regularmente cadastrados, prevê o Departamento de Água e Esgoto (DAE). “Existem muitos poços (clandestinos). Nós fazemos um apelo para que sejam legalizados. O DAE pode fazer acompanhamento para evitar acidentes (de contaminação)”, explica o presidente da autarquia, José Clemente Rezende.

De acordo com ele, o DAE dispõe de laboratório para analisar e controlar a qualidade da água de seus 28 poços em operação. Mesmo assim, tem autorização para perfurar apenas outros sete, informa a assessoria de imprensa do DAE. O cuidado incidiu sobre o estudo divulgado há um ano pela Companhia Estadual de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb). Na ocasião, a água coletada de um poço profundo em Bauru foi apontada como boa.

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