A noite de hoje no Quintas Culturais da Universidade do Sagrado Coração (USC) é toda de Mauro Rasi. O evento “Cem Mauro”, que integra a programação “Outonando” do Projeto Vivaldi, uma parceria da USC com o Ju Machado Escritório de Arte, homenageia o escritor, dramaturgo e diretor teatral bauruense, falecido em abril de 2003, com apresentações teatrais, musicais, de poesia, dança e a exibição de uma entrevista exclusiva com Rasi, gravada em 1999.
De acordo com a organização, o evento tem o objetivo de relembrar grandes momentos e obras do dramaturgo, além de afirmar a intenção da instituição ao nomear o lobby do Teatro Universitário Veritas como Espaço Mauro Rasi e dedicar o local à difusão cultural. A ligação de Rasi com a instituição vem de sua adolescência em Bauru, quando estudava no Conservatório Musical Pio XII, da universidade. Anos depois, ele recebeu o título de professor emérito do curso de artes cênicas e por diversas vezes suas peças foram apresentadas no Teatro Veritas.
“Cem Mauro” terá início com a apresentação de uma seleção de músicas das décadas de 1980 e 90, anos de maior sucesso da carreira de Rasi, com a Banda Aero Willys. Em seguida, a professora Glória Maria Palma apresenta o trabalho “O Teatro de Mauro Rasi à espera de sua fortuna crítica”, sucedido pela exposição da dissertação “Da vida ao palco: a obra de Mauro Rasi”, do aluno do curso de letras da USC José Sotrati Júnior.
Na seqüência, o público terá a oportunidade de assistir a uma entrevista concedida por Rasi à TV USC em 1999. A noite de homenagens prossegue com a exposição do trabalho “As Vozes de Pérola: um objeto de pesquisa”, da aluna Marly de Fátima de Oliveira, do curso de letras da USC. Em seguida, os também alunos de letras Gabriela Leutiwiller Manaia e Gilson Carraro sobem ao palco do Teatro Veritas para encenar “Um ato das Pérolas de Mauro Rasi”.
Para finalizar o evento, a Academia Sigma de Dança, com coordenação de Karen Teixeira, apresenta a performance “Tua luz será a minha... e não importa que nossos caminhos sejam diferentes”, baseada em textos do dramaturgo. A coreografia foi elaborada por Ruben Terranova especialmente para o evento.
Ju Machado, uma das idealizadoras do evento, comenta que a noite de homenagens será como um ponto inicial a um trabalho mais amplo de pesquisa sobre a obra de Rasi. “Outro objetivo é difundir o Espaço Mauro Rasi no mundo das artes bauruenses, para que ele realmente cumpra seu papel”, diz.
Vida e Bauru
Rasi nasceu em Bauru em 1950 e morou na cidade até o final da década de 60. Considerado um dos grandes dramaturgos brasileiros das últimas décadas, ele nunca deixou de citar suas origens em entrevistas ou mesmo em suas peças e artigos, levando o nome, costumes e peculiaridades do município para todo o País.
Sua estréia como dramaturgo ocorreu aos 13 anos, em Bauru, com a peça “O Duelo do Caos Morto”. Ainda na cidade, com 16 anos, ele montou “Liberdade, Liberdade”, de Millôr Fernandes e Flávio Rangel, uma semana antes da estréia da versão original da peça, que tinha Paulo Autran no elenco. O primeiro espetáculo oficial da carreira de Rasi foi “A Massagem”, em 1971. Na época, ele começou a escrever textos para a TV e integrou as equipes de “O Planeta dos Homens”, “Armação Ilimitada” e “TV Pirata”.
Na década de 1980, Rasi teve seu talento reconhecido com o prêmio Molière de melhor autor teatral, por “A Cerimônia do Adeus”. Em 1992, sua “Baile de Máscaras” recebeu mais quatro Molière.
O maior sucesso comercial da carreira do bauruense veio com “Pérola”, peça escrita em homenagem a sua mãe, falecida em 1994, e estrelada por Vera Holtz. A peça estreou ainda em 1994, ficou em cartaz por cerca de cinco anos e chegou à marca de 500 mil espectadores. Em Bauru, “Pérola” foi apresentada duas vezes, em 1997 e no final de 1998.
Entre seus últimos trabalhos, estavam as crônicas escritas para o jornal O Globo, reunidas posteriormente no livro “Eu, Minhas Tias, Meus Gatos e Meu Cachorro”, lançado em 2003 pela jornalista Anna Accioly, e a direção da peça “Batalha de Arroz num Ringue para Dois”, com Miguel Falabella e Cláudia Gimenez, com texto que ele havia escrito na década de 1980.
Rasi faleceu em 22 de abril de 2003, em seu apartamento no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro, onde morava há mais de 20 anos. Ele passava por tratamento contra um câncer de pulmão e, pouco antes de sua morte, havia feito uma cirurgia para retirar um tumor da bexiga.
• Serviço
Projeto Vivaldi apresenta “Cem Mauro”, no Quintas Culturais da USC, hoje, às 20h30 no Teatro Veritas. Entrada gratuita. A USC fica na rua Irmã Arminda, 10-50.