Os radares do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) poderão paralisar suas atividades por falta de pessoal especializado para operar os equipamentos.
No dia 19 de março, cinco dos oito funcionários do IPMet ligados à Fundação para o Desenvolvimento da Unesp (Fundunesp) receberam aviso prévio por determinação da reitoria por não terem prestado concurso público.
O diretor do IPMet, Roberto Calheiros, alega que dois dos três funcionários restantes, um engenheiro de radar e um físico, vão sair caso não se encontre uma solução nos próximos dias. “Nosso instrumento básico de trabalho (o radar) pára. Eles vão receber o aviso prévio. Aí, você tem que parar a operação do radar porque não há manutenção preventiva”, revela. Calheiros acredita que os equipamentos não correrão riscos de estragar caso fiquem parados.
Mas ele acrescenta que o instituto passaria a não fornecer as informações dos radares por falta de coleta. “A reitoria está tendo boa vontade. Mas a solução é complicada. Por isso, acho que vamos ter que procurar outra saída, como recursos extras para que sejam contratados profissionais por outra fundação”, sugere.
Uma solução para o impasse seria o reitor da universidade, Marcos Macari, atender um pedido de Calheiros para ampliar o prazo de permanência dos técnicos que já atuam no instituto até a abertura de um concurso público para preencher as vagas. Macari informou ontem, através da assessoria de imprensa da reitoria, que ainda não havia uma posição sobre o caso.
Calheiros explica que os dois funcionários e um meteorologista foram mantidos por um prazo de apenas 90 dias pela ausência de substitutos para os seus serviços. “Tem que ser os dois porque um complementa o outro na calibração dos radares”, justifica.
Concurso
A direção do IPMet já enviou à reitoria pedido de abertura de concurso público para que se possa repor o pessoal especializado.
Calheiros informou que não tem informação sobre a solicitação. Ele pondera que dificilmente será possível manter o atual especialista do radar. O empecilho seria o salário pago para um engenheiro em carreira iniciante nos quadros da Unesp, caso ele venha a passar no concurso. O diretor comenta que o salário hoje é de pouco mais de R$ 2 mil, enquanto um engenheiro de radar do IPMet já ganha R$ 4 mil pela Fundunesp. “Ele já tinha solicitado uma promoção. Como você vai abrir um concurso e oferecer R$ 2 mil para quem já ganha R$ 4 mil e que já estava pleiteando mais?”, questiona.
No corte de funcionários contratados via Fundunesp, o órgão já perdeu cinco pessoas entre técnicos e meteorologistas. Isso já provocou uma queda de cerca de 30% no atendimento de informações, como laudos técnicos e dados meteorológicos. Calheiros garante que a qualidade do que é informado não foi atingida. “Isso implicaria numa erosão de credibilidade inaceitável. Não podemos fazer nenhuma concessão à qualidade porque trabalhamos com proteção à vida e à propriedade, com apoio ao setor produtivo.”