A leishmaniose visceral avança em Bauru tirando vidas. Anteontem, um morador de 73 anos do Jardim Carolina morreu em decorrência da doença, que só nesse ano provocou outra vítima fatal. Desde 2003, outras quatro pessoas não responderam ao tratamento e morreram.
O caso mais recente foi confirmado ontem pelo Instituto Adolfo Lutz, órgão que também atestou a doença num homem de 26 anos, residente no Jardim da Grama. No entanto, de acordo com o diretor do Departamento de Saúde Coletiva, Mario Ramos, este caso entra para a estatística de 2003 porque os sintomas apareceram naquele ano, quando 17 exames deram positivos. Em 2004, o número saltou para 28 e, neste ano, oito pessoas já foram infectadas.
Apesar da incidência crescente, o Jardim Carolina registra apenas um caso, além do referente à vítima fatal confirmada ontem. Em junho do ano passado, uma mulher grávida também contraiu leishmaniose. Porém, os dois registros passaram despercebidos por alguns moradores do bairro, como Karina Morato Aguilhar. Talvez por essa razão, para ela, a propagação da leishmaniose não figura como principal preocupação pessoal.
Já Odete de Abreu, outra moradora do Jardim Carolina, convive com o medo, apesar de não identificar pelas ruas próximas à casa dela terrenos baldios com depósito de lixo orgânico. “Tenho duas cachorrinhas que são as filhas que não tive. Diante de qualquer problema, corro com elas (ao veterinário). Gasto bastante e limpo (o quintal). Acho que todo mundo deveria agir assim. Elas já fizeram exame (para confirmar a doença), deu negativo”, diz.
Odete pagou para fazer os testes, no entanto, até março deste ano, a administração municipal coletou sangue (para sorologia) de 6.051 cães em diversos bairros da cidade. “É importante que os cães (com a doença) sejam entregues para eutanásia, que os moradores limpem seus quintais, tirem restos de frutas e fezes. Eles também devem procurar as unidades básicas de saúde ou a Vigilância Epidemiológica do município (em caso de suspeita da contaminação em humanos)”, ressalta Ramos.
De acordo com ele, no ano passado a administração municipal desenvolveu trabalho de combate à leishmaniose especificamente no Jardim Carolina, após a notificação envolvendo a gestante.
“Trabalhamos lá, fizemos busca ativa. Mas essa doença pode levar até 24 meses para se manifestar, por isso é difícil (o controle). Quando ele (o senhor de 73 anos) foi para tratamento, já estava muito debilitado, com alto grau de desidratação”, conclui Ramos.
• Serviço
Em caso de suspeita de contaminação em humanos, o Departamento de Saúde Coletiva deve ser comunicado pelo telefone (14) 3235-1458, ramal 203. Informações sobre como proceder com cães podem ser obtidas pelo telefone (14) 3281-2646.