Sem fôlego para tapar os buracos que se multiplicam pelas ruas de Bauru, a Secretaria das Administrações Regionais (Sear) mudou a estratégia de enfrentar o problema. As equipes de tapa-buraco que agiam solitárias para atender os bairros de sua respectiva região administrativa passaram a concentrar forças. Juntas, elas começaram a “atacar” apenas uma região, cujas ruas serão recuperadas num prazo médio de 30 dias.
“Iniciamos há 15 dias uma experiência de centralizar tudo na Vila Independência. Antes, cada regional ficava com seu serviço, mas percebemos que se continuasse assim levaríamos anos para fechar (os buracos)”, explica o responsável pela Sear, Nélson Fio. A constatação da administração municipal já havia sido verificada pelos munícipes, mesmo entre aqueles que se esforçam para assimilar o método de trabalho da Sear.
“Sei que eles têm muito trabalho e as que coisas não são do jeito que a gente quer. Mas não entendi”, diz o aposentado Amador Fidêncio de Oliveira ao se referir ao serviço realizado nas imediações da quadra 2 da rua Maestro Francisco Ministro Zani, na Vila Souto. A equipe da secretaria esteve no local, fechou dois buracos grandes e deixou abertos outros sete menores.
“Aqui é rua de ônibus. Acho que eles deviam fazer trabalho completo. Parece falta de organização”, acrescenta a moradora Cláudia Faria Santini. A eventual escassez de material foi apontada como justificativa para a situação. Segundo o titular da Sear, em algumas circunstâncias a massa asfáltica do caminhão deslocado até o endereço acaba e, dependendo do horário, ele não tem como retornar. “No dia seguinte, a equipe recebe outra programação”, diz Fio.
Aleluia
Já em outro ponto da cidade, o cronograma favoreceu o comércio de Mário Baldo, situado na quadra 15 da avenida Pinheiro Machado, no Parque Jaraguá. Uma equipe da Secretaria de Obras recapeou as duas pistas. “Disseram que sobrou material e eles aproveitaram. Tem gente que passa aqui e grita aleluia. Tinha uns 30 buracos. Me perguntam o que aconteceu e eu brinco que paguei pelo recape”, conta o proprietário do estabelecimento.
No entanto, a 300 metros de lá, duas crateras situadas nas primeiras quadras da avenida Gabriel Rabello de Andrade provocam mau humor entre os moradores. O tapa-buracos recuperou quase dez quadras da via, sendo que essas duas ficaram para trás. “Eles vieram e varreram a rua. Juntaram a terra e foram embora. Disseram que voltariam. Tenho brigado há muito tempo, mas nada”, afirma Jandira Gomes Serrano.
O problema respinga na Secretaria de Obras, que dispõe de apenas uma equipe de pavimentação (com respectivo maquinário). A pasta, que para prestar contas ao governo do Estado priorizou a conclusão das 20 quadras do Parque Jaraguá, deslocou o serviço para a Pinheiro Machado por apenas um dia.
A via, especialmente nas imediações da Gabriel Rabello de Andrade, voltará ao cronograma antes da secretaria retomar o trabalho no Pousada da Esperança, informa a administração municipal. “Lá não adianta tapar buracos (por causa da gravidade da situação). É perda de material”, conclui Fio.
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Vila Independência e região central
Depois das equipes de tapa-buraco liquidarem com a demanda de trabalho dos bairros atendidas pela regional administrativa da Vila Independência, o cronograma seguirá para as áreas relativas à regional Centro. A seqüência foi definida com base nas reclamações dos moradores.
De acordo com o titular da Secretaria das Administrações Regionais (Sear), o processo de hierarquização de rota ainda leva em consideração as ruas por onde transitam os circulares, além daquelas de tráfego intenso. Esses endereços receberão atenção especial da ação conjunta desencadeada pelas sete regionais administrativas.
Apesar de cada uma delas ter uma equipe formada por cinco servidores e um caminhão basculante adaptado para fazer o serviço, apenas cinco serão deslocadas para a área priorizada. As outras duas trabalham como volantes para atender casos urgentes. “Mas a orientação é pegar a quadra e ir até o final. Se tiver buracos nas transversais (a cerca de dez metros) é para tapar também”, acrescenta o secretário.
Ele ressalta que a Sear passou a recuperar inclusive buracos abertos pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE). “Quando acabar (o roteiro estabelecido), cada uma fará a manutenção (dos bairros de cada regional). A idéia é não descuidar”, explica Fio. No entanto, para que a proposta tenha sucesso, a administração municipal terá de correr contra o tempo.
Atendida pela Sear há dois meses, a quadra 9 da rua Baltazar Batista, na Vila São Paulo, já tem três pequenos buracos. “Os moradores jogaram areia dentro e a prefeitura tapou. Além disso, passa muito caminhão por aqui”, diz o morador José Mário de Oliveira. Fio concorda que o trânsito colabora com o desgaste das ruas, mas adverte que os servidores limpam o buraco antes de tapá-lo.
“O que nós estamos fazendo é remendo. O certo é ter máquina para cortar o asfalto e máquina para compactar. Já pedi para comprar (oito cortadeiras e oito compactadoras). Vamos deixar para o próximo ano. Até agora, o tapa-buracos já percorreu 1.800 quadras”, conclui o secretário.