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Afinal, o que é um carro 'tunado'?

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Se você é daquelas pessoas que acha que carros “tunados” são somente os com visual e mecânica extremamente modificados, prepare-se para rever seus conceitos sobre o assunto. Isso porque a quantidade de alterações implemen-tadas em um automóvel com o objetivo de personalizá-lo não é - nem nunca será - o único critério a determinar um veículo como digno representante ou não do mundo “tuning”.

“Qualquer carro com alterações que o diferencie de suas características originais já é tunado. Neste caso, o número de acessórios ou equipamentos instalados ou adaptados não interessa para definir se um automóvel é tunado ou não”, enfatiza o engenheiro mecânico bauruense Marcos Serra Negra Camerini, reconhecidamente um dos “papas” do “tuning” da cidade.

Prova disso é que, além de contar no currículo com passagens por várias montadoras, Camerini foi convidado pelo piloto brasileiro Émerson Fittipaldi para ministrar uma palestra sobre o assunto no I Salão de Tuning, evento realizado recentemente na Capital paulista. “É preciso parar com a mania de achar que carros tunados são somente aqueles cujos proprietários efetuaram alterações radicais nos automóveis. Quem pensa assim, definitivamente, está por fora do assunto”, frisa Camerini. E acrescenta:

“Não tem essa de achar que existe tuning pobre. Além disso, qualquer equipamento voltado para a personalização é caro.”

Segundo o engenheiro, a culpa de tal mentalidade é, em boa parte, das publicações especializadas em “tuning”. “Essas mídias endeusam e só mostram esses tipos de carros. Por isso, quem as lê ou assiste se encantam com eles e criam a idéia equivocada de que o tuning está associado apenas ao radicalismo e à quantidade das transformações”, enfatiza.

Camerini exemplifica seu raciocínio argumentando que simples trocas de pneus ou rodas são suficientes para classificar um carro como “tunado”. “Se um veículo tinha rodas aro 13 e foram substituídas por outras de aro 16, o automóvel, sem dúvida, é tunado, pois ficou diferente do original”, salienta.

Entretanto, o engenheiro destaca também ser preciso saber diferenciar o “tuning” da “maquiagem”. “Trocar uma roda de ferro por uma de alumínio ou equipar o veículo com acessórios de versões superiores ao seu é maquiagem, não tunagem”, compara Camerini.

Ele sustenta, ainda, que para entender o “tuning” é preciso compreender as distinções entre suas categorias. “Essas sim estão intimamente ligadas à profundidade e à quantidade de transformações, instalações ou adaptações”, explica o engenheiro, que define em três os tipos de personalização: básica, ou “leve”, pesada e radical.

Na primeira, esclarece Camerini, podem ser enquadradas as mudanças de rodas, pneus e na estética externa e interna do veículo com a instalação de spoilers, aerofólios, volantes, pedaleiras e manoplas esportivas. Já na “pesada”, além de alterações no visual, são feitas transformações mecânicas. “Aí incluem-se os turbos e a adoção de novas suspensões, por exemplo”, afirma o engenheiro.

Por fim, as radicais são aquelas em que se modificam os carros de tal maneira que quase não se pode reconhecê-los. “Nela entram as modificações mecânicas e nas carrocerias que fazem com que busquemos os detalhes dos automóveis para saber quais são os modelos originais”, finaliza Camerini.

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