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Alta demanda de desempregados faz mercado ficar mais exigente

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

O excesso de jovens desempregados deixou mais exigente o mercado trabalhista que acomoda a categoria. É o que avaliam as empresas de consultoria de recursos humanos. O comportamento, porém, acaba obrigando o jovem a se especializar cada vez mais como forma de enfrentar a concorrência e garantir seu espaço no mercado.

“Os jovens até podem ter menos tempo para estudar, mas o que se percebe é uma busca quase que constante do aperfeiçoamento”, analisa Vanessa Paschoalotto Capretz, consultora de recursos humanos. A constatação é reforçada por Cristina Simões, que divide com Paschoalotto a sociedade de uma empresa especializada em RH.

As consultoras têm a mesma opinião no que diz respeito à consciência dos jovens em relação às dificuldades de conquistarem seus espaços no disputado mercado de trabalho.

“A observação mais importante na entrevista recai sobre os estudos. Dependendo da vaga que ele assume, vamos testá-lo para comprovar os conhecimentos”, explica Simões.

A constatação de que a exigência é cada vez maior no nível de escolaridade para se contratar jovens também é compartilhada pela consultora de RH Silvia Mello Barduzzi. “Quanto menos vagas e mais jovens procurando emprego, maior é a exigência. Pessoas qualificadas, abaixo dos 30 anos de idade, se habilitam, em alguns casos, a funções que exigem menor qualificação”, conta.

Barduzzi acredita que um dos pontos negativos que colaboram para que a categoria deixe de freqüentar as salas de aula é a própria falta de atração verificada nas escolas.

“O jovem trabalha o dia inteiro. Vai para a escola. Chega lá, se depara com a violência, com o vandalismo, com a desorganização e com a falta de respeito. Ele vê que nesse ambiente terá respostas a longo prazo e acaba desistindo”, observa.

Na avaliação dela, há um conflito que atinge os jovens. “Eles são bem informados, mas não são formados. Esse é o problema. Desconhecem seus compromissos perante a sociedade, como cidadãos que são. A família também não colabora porque acha que cabe à escola a função de educar.”

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