Comemoramos hoje, 1 de maio, o Dia Internacional do Trabalho e do Trabalhador, marcado por lutas hercúleas para conseguir um mínimo de proteção contra a sanha exploratória da economia atual e de antigamente. Dizem os arautos da modernidade neo-liberal que tal proteção dada aos trabalhadores encarece as contratações de novos funcionários e se constitui um peso econômico conhecido como “Custo Brasil”.
Talvez não precisem de proteção os trabalhadores dos EUA, país mundo, que drena os recursos de todo o planeta para o seu próprio crescimento e onde impera uma cultura que preza a transparência na gestão do Estado, das empresas e do mundo do trabalho. Lá, os trabalhadores têm uma forte rede de proteção social, onde o Estado norte-americano, a sociedade e os empresários, em sua maioria, gastam bilhões de dólares em projetos sociais e de geração de renda. Mas também lá existe o subemprego e o desemprego tecnológico que ceifa milhões de postos de trabalho em nome de uma produtividade estéril.
Na Europa, que se unificou e distribui os benefícios dessa unificação, a proteção do trabalho é defendida com unhas e dentes, através de greves, movimentos sociais, de estudantes, que não querem retornar a uma economia selvagem e pouco cooperativa.
Quando não há proteção social ao trabalhador e geração de renda ao cidadão comum sem qualificação, em especial aos jovens em situação de risco das nossas periferias, grassa a violência, a banalização do mal, o abandono, o paternalismo e a política da troca de favores já conhecida na nossa sociedade.
A economia, o lucro e a produtividade exacerbada não podem suplantar a vida do trabalhador que hoje em dia já não é mais empregado. Como se vê, o nosso País está longe de poder dispensar a proteção mínima dada ao trabalhador. Não temos muitas coisas para comemorar hoje, mas precisamos acreditar que “dias melhores virão”. (O autor, Fábio Paride Pallotta, é professor de história)