Tribuna do Leitor

DESFAVELAMENTO


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Conforme o noticiado pelo JC, edição do dia 26 de abril, na página 7, verifica-se que está chegando ao fim a agonia dos moradores do Núcleo Fortunato Rocha Lima, que, durante mais de oito anos, viveram o pesadelo da possibilidade de perda de suas casas. Foram eles vítimas de um certo tipo de terrorismo político, que procurou alavancar dificuldades, ao contrário do mais sensato, que seria a busca de uma solução para tanta burocracia que obras de tal magnitude realmente exigem.

O Núcleo Fortunato Rocha Lima foi idealizado para tirar das margens de nossos rios e córregos mais de 4 mil famílias que moravam em favelas. O problema, herança de administrações anteriores, colocava em risco as vidas de mulheres, crianças e idosos, por ocasião das enchentes. Nas favelas ribeirinhas, a chuva era um pesadelo. O Brito, da Defesa Civil, lembra muito bem disso.

O projeto elaborado pelo prefeito Tidei de Lima, envolveu técnicos da Prefeitura, DAE, Cohab e Emdurb, além de inúmeras instituições representativas de nossa comunidade. Foi um sucesso que encontrou eco em todo o País, e que chegou a ser aplaudido durante o II Habitat, a feira mundial de moradias populares patrocinada pela ONU, em Istambul, na Turquia, no ano de 1995.

Recordar é preciso. As 474 casas foram entregues prontas, com toda a infraestrutura, as principais ruas asfaltadas, transporte coletivo e equipamentos sociais, como creches, escolas, centro comunitário, etc. Com a corajosa iniciativa, essas quase cinco centenas de famílias puderam se ver livres das aterrorizantes noites chuvosas. Mais 147 casas estavam em construção, mas o prefeito que sucedeu Tidei acabou autorizando boa parte de seus correligionários a invadir as edificações, estimulando a depredação e não respeitando aqueles que suaram bastante em trabalho de mutirão para poder ter a sonhada casa.

No tocante à desapropriação das três áreas, cumpre esclarecer que foi pago a Fauzer Banuth, o que a ele correspondia. Foi encaminhada à Justiça aquilo que pertencia à Fundação Zérener (então dona da Cervejaria Antártica) e a última das partes, negociada com a família Reis, que sempre ajudou nesse projeto pioneiro.

Alguém já disse que o tempo é o senhor da razão. Talvez seja mesmo, pois só com o passar dos anos, as coisas acabam sendo recolocadas em seus devidos lugares. Trabalho para historiadores. (jornalista Eduardo Nasralla - ex-assessor de imprensa do então prefeito Tidei de Lima - MTB 17.887)

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