Bairros

Ex-conselheiro vê ‘exagero’ em tombamentos

Sérgio Pais
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O memorialista Gabriel Ruiz Pelegrina, 83 anos, ex-integrante do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Codepac), acredita que o órgão vem “extrapolando suas funções, tombando à vontade”, o que estaria prejudicando a cidade.

Para ele, que se apresenta como um dos “inventores” do conselho - do qual se desligou no início deste ano, deixando transparecer certa mágoa -, apenas poucos integrantes do órgão dão as diretrizes das ações de tombamento, “falando mais alto nas reuniões”.

Pelegrina admite que certos processos contaram com seu apoio, como os que tombaram o Automóvel Clube e a casa do antigo superintendente da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), entre outros. “Mas (tombar) o Palácio das Cerejeiras é um absurdo. Lá não tem nada de histórico”, protesta.

O memorialista cita ainda como “absurdo” o tombamento de “duas casinhas” na quadra 2 da rua Araújo Leite, numa referência ao mais recente decreto, publicado no último dia 7, que tombou duas casas geminadas do início do século 20. “Aquilo não vale nada e não tem história nenhuma”, fuzila.

Pelegrina avisa ainda que planeja até mesmo recorrer ao Poder Judiciário para reverter alguns processos, inclusive com decretos já publicados. “Com provas, perante o juiz, vou destombar o que estiver errado”, ameaça.

Ele contesta, inclusive, uma informação do próprio Codepac de que a sede das antigas indústrias Matarazzo foi destombada por via judicial. “Fui eu que destombei aquilo”, revela, explicando que acionou um vereador e um fotógrafo da Câmara para montar um relatório provando que o imóvel em questão já estava “caindo aos pedaços” quando o processo foi proposto. “Provei que o prédio estava desabando, relatei o fato para o Izzo (ex-prefeito Izzo Filho), que arquivou o processo”, conta.

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