Quando se fala em castelo logo vem à mente a imagem de reis e rainhas, príncipes e princesas. Mas nem todos os castelos têm uma família real. Alguns, como o localizado na cidade de Pederneiras (26 quilômetros a leste de Bauru), são moradias. Seu proprietário é descendente de europeus, que vieram ganhar a vida no Brasil por volta de 1910 e ergueram “réplicas†para não esquecer a terra em que nasceram.
O castelo de Pederneiras não é considerado mal-assombrado e nem abriga mistérios a serem desvendados. Nenhuma assombração ronda os mais de 20 cômodos e jardins cheios de quedas dáguas, garante o proprietário e morador, Marino Antônio Furlani. Nos seus 80 anos, quase todos vividos no castelo, seu Marino garante que nunca teve problemas com assombrações. Em tom de brincadeira, ele é categórico: “Eu tinha 20 meses quando vim morar aqui. Já fomos vacinados contra assombrações.â€
No mesmo tom, ele prossegue dizendo que hoje o castelo é um elefante branco. “Dá muita despesa. A área é de 50 hectares. Foi construído pela minha família. Todos trabalharam na obra. Meu pai era construtor e outros parentes eram artistas.â€
Orgulhoso, no bom sentido, seu Marino lembra que o castelo tem um alicerce feito com pedra assentada a seco. “Os tijolos foram assentados com barro rejuntado com cimento. As paredes não apresentam rachaduras. A primeira cobertura do castelo era de telha francesa e o cimento era importado da Alemanha em barrica de 90 quilos.â€
A madeira maciça das portas e janelas resistem ao tempo e estão em perfeito estado. “Só não tem a comodidade de uma residência moderna. Eu já fiz modificações, mas tento não descaracterizar.†Ele refuta a idéia de tombamento. “Eu prefiro que não. Tenho cinco netos que vão ficar com o castelo. A parte hidráulica da casa tinha toda a tubulação feita em cano de ferro e mudamos. O projeto elétrico original era a gás com gerador central de gás. A construção começou em 1910 e terminou quatro anos depois.â€
Família de construtores
Marino Antônio Furlani fica emocionado ao contar a história da família e como foi construído o castelo. “Meus avós vieram para cá para a construção da estrada de ferro Vitória, no Estado do Espírito Santo. Lá, meu avô contraiu malária e foi se tratar no Rio de Janeiro.†Curado, ele retornou e não encontrou mais o pessoal que tinha vindo da Europa com ele. Meu pai adotivo havia ficado na Europa para terminar os estudos.†Quando terminou os estudos, Fausto Furlani recebeu uma carta de recomendação de um de seus professores para ser entregue ao construtor da igreja matriz de Jaú. Ele veio para o Brasil e se desencontrou do tal construtor. “Em Jaú, já sem dinheiro, encontrou um antigo funcionário de meu avô. Ele disse para meu pai que em São João da Bocaina tinha serviço. Meu pai foi a pé de Jaú para São João da Bocaina, atualmente a cidade de Bocaina.†Ele acabou vindo para Pederneiras demarcar a Fazenda Macacos. “Foi quando ele comprou essa área e construiu o castelo. Aqui era só mato.â€
O castelo de Pederneiras é cercado de jardins bem-cuidados e muitas fontes com quedas d’água que formam um cenário só visto no cinema. Não foi à toa que o local já foi parar nas telas de todo o Brasil, na década de 70.
Seu Marino não gosta de falar sobre o assunto, até porque ele alugou o castelo e o locatário usou o local para filmar uma pornochanchada. “O filme não era o que eu esperava. Ele não cumpriu com o que foi combinado.†Ele frisa que, apesar do nome do filme, “Castelo das Tarasâ€, a película não apresenta nada além do que é mostrado nas novelas de hoje.