Saúde

Ai meu nariz!

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Quando a previsão do tempo anuncia a chegada de uma frente fria, a cozinheira Neusa Aparecida de Deus se prepara para uma maratona. Responsável por nove netos, ela já sabe que vai ter de “visitar” o pronto-socorro nos próximos dias. É que a queda da temperatura acarreta problemas respiratórios. Segundo ela, toda a família sofre, mas os pequenos são os mais afetados.

“Eles ficam gripados, o nariz fica ruim, vem aquela tosse catarrosa, febre, peito cheio. Eles ficam com falta de ar, não conseguem dormir. Até os adultos ficam mal, imagine as crianças menores. O jeito é correr com eles para o pronto-socorro”, comenta.

Na última quarta-feira, a avó levava o pequeno Welingon Fregne, 8 meses, ao pronto-socorro pelo quinto dia consecutivo. “Os outros netos menores também já foram para o pronto-socorro, mas ele ficou pior, deu laringite. Ele está fazendo inalação três vezes por dia. A gente já veio de manhã, voltamos agora (17h) e vamos voltar às 22h, porque senão ele não dorme”, conta.

De acordo com o médico pediatra e alergologista Felinto dos Santos Neto, a história se repete todos os anos. Basta uma mudança mais brusca na temperatura para o nariz “chiar”. Ele explica que isso ocorre, principalmente, por dois fatores.

“Primeiro, porque uma queda repentina da temperatura exige mais do organismo e a resistência cai um pouco. Segundo porque alguns vírus que atacam as vias respiratórias encontram no frio e na umidade seu habitat ideal. Eles se multiplicam na atmosfera e atingem essas pessoas com baixa resistência, causando gripes, resfriados e outras alterações”, descreve.

Segundo o especialista, idosos e crianças são os mais vulneráveis ao ataque desses micróbios. As crianças porque ainda têm o sistema imunológico imaturo e os idosos porque têm o sistema imunológico já enfraquecido.

“O tempo mudou na segunda-feira e os casos de alteração respiratória já representam 70% dos atendimentos. Só hoje (quarta-feira passada), das 30 crianças que eu atendi, 20 tinham quadro respiratório alterado”, informa.

Alvo principal

Segundo o médico, pessoas alérgicas são as principais vítimas das doenças respiratórias e viram “alvo” quando muda a temperatura.

“Além dos vírus, fungos (causadores de mofo) e ácaros (bichinhos minúsculos que fazem ninho em colchões, travesseiros, tacos e outras superfícies) também se multiplicam em velocidade espantosa quando encontram ambientes úmidos e não muito quentes. São alérgenos fortíssimos, ou seja, são agentes que desencadeiam ou pioram as crises alérgicas”, comenta.

O médico explica que algumas atitudes ajudam a prevenir as doenças respiratórias. A primeira delas é driblar o frio, usando agasalhos e sapatos mais fechados. A segunda é diminuir o contato com os agentes alérgenos ou infecciosos, mantendo os ambientes limpos e arejados. “E sempre que possível, deixe a casa pegar sol, pois vírus, fungos e ácaros não gostam do calor”, sugere.

Para os alérgicos, Santos Neto recomenda o tratamento preventivo. “A imunoterapia (vacinas contra alergia) é uma excelente opção. Pelo menos 85% dos pacientes tratados evoluem de modo extremamente satisfatório, com controle da doença. Basta fazer o teste de alergia, fazer a dosagem do alérgeno no sangue e manipular o remédio individualmente para um melhor resultado”, esclarece.

Segundo ele, o tratamento preventivo dura cerca de um ano. “Algumas pessoas só fazem isso e se livram das crises. Outras vão precisar fazer um tratamento de manutenção de tempos em tempos. O importante é que todas as pessoas podem fazer o tratamento, que está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, informa.

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