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Projeto transforma praça em ponto de encontros culturais

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Transformar as praças da cidade em pontos de encontro para ações educativas, culturais e de cidadania é a proposta de um projeto que foi lançado oficialmente ontem pela Associação de Moradores do Jardim América, na Praça Palestina de Bauru. Trata-se do “Poesia Educacional, Natureza, Segurança, Entretenimento, Música, Ordem e Serviço - Pensemos 10!”.

O presidente da associação, Rodney Lázaro Motta, conhecido como Poeta Habib Jacob, conta que tudo começou em 1975, quando uma professora dele pediu, numa prova, que os alunos fizessem um texto sobre a frase dita por Pelé na comemoração de seu milésimo gol: O futuro das crianças depende de educação. “Escrevi uma poesia e isso veio sendo lapidado nesses últimos 30 anos”, afirma.

A proposta da professora mostrou a Motta que as crianças tinham muito a dizer e ele iniciou um longo trabalho de pesquisa cultural. Fez outras tentativas, foi mal compreendido por vizinhos, até que se mudou para o Jardim América.

“Comecei reunindo algumas pessoas para cuidar da praça, limpar, instalar lixeiras, pintar os bancos e fazer algumas atividades culturais para atrair os moradores para a praça. Quando teve eleição para a associação de moradores, a população decidiu fazer chapa única e iniciamos o Pensemos 10!”, conta.

Segundo ele, o projeto vai funcionar diariamente. Nos dias úteis, as crianças do bairro terão aulas de reforço escolar (ensino fundamental), aulas de música (violão, teclado e saxofone), aulas de poesia.

Duas vezes por semana, haverá sessões de “cinema”, com filmes educacionais seguidos de debate. “Em breve, faremos uma reforma no ponto de ônibus da praça, colocaremos bebedouro, bancos e um mural com oferta de empregos”, afirma.

Geração de renda

Outra proposta do Pensemos 10! é a geração de empregos. “A associação de moradores acaba de contratar o senhor Carlos Alberto de Almeida como agente cultural. Essa semana vamos contratar mais uma pessoa. E nossa intenção é contratar mais duas até julho”, observa.

Um alívio para Almeida. “Eu trabalhei muitos anos como porteiro, mas estava desempregado há cinco anos. Agora fui contratado pela associação para trabalhar 4,5 horas por dia, ganhando um salário mínimo”, comemora, vestindo a camisa do projeto.

Motta explica que o dinheiro vem de 30 empresas que estão patrocinando o projeto. “Cada uma delas contribui com R$ 50,00. Em contrapartida, eles têm um anúncio publicado no Guia Comercial dos Bairros, que tem 3 mil exemplares mensais distribuídos pelos bairros, além de desconto no IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). Paralelamente, também vendemos camisetas e outras coisas”, descreve.

Segundo o escritor e poeta educacional, sua intenção é mostrar que a idéia dá certo e vê-la expandir para outras praças e mesmo outras cidades.

“Aprendi que a criança estimulada a escrever expressa seus sentimentos na poesia”, argumenta. E exemplifica, citando a poesia do pequeno David Willian, 10 anos. “Se ser feliz é estar nas nuvens, /Socorro, estou sem pára-quedas.” É a primeira poesia a enfeitar o mural do projeto.

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