Nenhum País de dimensões semelhantes às do nosso apresenta uma disparidade tão acentuada na distribuição de cargas por modais de transporte. Nos Estados Unidos, a ferrovia transporta 40%, na Rússia aproxima-se de 70% e nos países menores como França e Alemanha fica em torno de 40%. No Brasil, recai sobre o sistema rodoviário a responsabilidade de escoar 56% de nossas riquezas diante de 20% do ferroviário. Se a nossa distribuição se aproximasse dos padrões norte-americanos, economizaríamos, segundo estudos disponíveis nos meios técnicos, mais ou menos US$ 5 bilhões em fretes a cada ano. Basta inferir o que essa cifra representa em termos de acréscimo de preço aos produtos para concluir que perdemos, também, em competitividade nos mercados mundiais. A safra açucareira do Brasil não vem sendo transportada por via férrea. Nas últimas campanhas eleitorais presidenciais, muito se falou das lutas a serem travadas em favor das causas sociais, priorizando o encaminhamento do homem para produção de alimentos no campo, inclusive através da agricultura familiar, objetivando minorar a fome gerada pelo desemprego existente neste País. Trata-se de um projeto de suma importância, todavia, para que a pobre e sofrida e triste humanidade do Brasil possa se estabelecer ao longo desse imenso torrão nacional, não seria o caso de se fazer retornar ao tráfego os trens de passageiros como benefício social de relevo, mediante utilização dos traçados de linhas já existentes? (Wanderley Brosco - Rg: 2.676.214-6)
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