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Cuidado, aposentados!


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Como dizia aquela música, bem interpretando a sabedoria popular: laranja madura na beira da estrada, ô Zé, ou é azeda ou tem marimbondo no pé. Quem for apanhá-la ou sai cuspindo azedo ou sai picado. É mais ou menos essa a situação que vem sendo apresentada aos aposentados, principalmente aos do INSS, que são os que recebem as menores aposentadorias. Empréstimo fácil, com taxa de juro pequena, cartão de crédito grátis, uma verdadeira tentação. Mas quando rezamos o Pai Nosso, pedimos a Deus que não nos deixe cair em tentação, porque a tentação sempre nos traz algum mal.

O empréstimo bancário sempre foi difícil e oneroso, fazendo com que muitos caiam nas mãos dos agiotas, o que é pior. De repente, se torna fácil, pré-aprovado, juro baixo, com o próprio banco oferecendo insistentemente. Uma mina. Será que é milagre do governo Lula? Por que não aproveitá-lo? Coisa boa dura pouco. Oportunidade não é sempre que se tem. Oportunidade? Sim, oportunidade para os bancos que não correm nenhum risco, tendo o pagamento garantido com o desconto em folha. Para os aposentados, entretanto, é um perigo. O raciocínio é simples: se o que estou recebendo não é suficiente para pagar as minhas contas, como vou fazer depois que a aposentadoria vier menor ainda, com o desconto? Porque o empréstimo vai resolver uma situação imediata, mas vai criar outra duradoura. O empréstimo só é bom quando se tem uma dificuldade que vai passar, uma emergência, um imprevisto que depois de superado a situação voltará à normalidade, mas quando a dificuldade é permanente, como no caso dos aposentados, que dependem unicamente daquele ganho, o empréstimo pode virar uma bola de neve, precisando fazer novos empréstimos para pagar o próprio empréstimo. Além da tentação de conseguir um dinheiro fácil para livrar-se de uma dívida incômoda ou para um pequeno capricho, que todos temos, muitos aposentados vêm sendo levados a fazer o empréstimo, não para eles, mas para uma outra pessoa, geralmente filhos ou netos irresponsáveis, que se aproveitam da situação, pouco se importando com as dificuldades que o aposentado terá depois. Cuidado, portanto.

Nem tudo, entretanto, é perigo ou armadilha. Existem muitos aposentados que ainda possuem energia para realizar uma atividade que possa melhorar os seus rendimentos, mas que precisam de um pequeno capital para comprar mercadorias para revender com lucro ou para comprar um equipamento para produzir alguma coisa vendável ou prestar um serviço remunerado. Nesses casos, o empréstimo, nessa linha ou na do microcrédito, pode ser a solução. Isso porque ele vai ganhar para cobrir o empréstimo e para reforçar a sua aposentadoria. Mas mesmo nesses casos é preciso ter cuidado para não entrar numa fria. Entrar num negócio apenas porque outras pessoas estão se dando bem não é o caminho indicado. Os que estão se dando bem é porque têm jeito e entendem do negócio. E você? Será que poderá fazer a mesma coisa? Se tiver certeza, vá em frente, do contrário não arrisque a sua pequena aposentadoria.

O autor,Pedro Grava Zanotelli, é consultor e ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru

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