Política

Cohab consulta TCE sobre benefícios a inadimplentes

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) registrou queda na arrecadação mensal nos quatro primeiros meses deste ano e aumento na inadimplência, provocada pela suspensão temporária de benefícios oferecidos a mutuários com prestações em atraso em função de consulta ao Tribunal de Contas do Estado (TCE).

A média de receita mensal no primeiro quadrimestre de 2005 foi de R$ 2,3 milhões, contra R$ 2,6 milhões no mesmo período de 2004. Já a inadimplência saiu de perto de 21% para 32% na comparação do mesmo período.

Para o presidente da companhia, Edison Gasparini Júnior, os números refletem o período de transição em relação ao futuro de ações de recuperação de crédito que serão implementadas pela atual gestão. “O aumento na inadimplência preocupa, mas nós estamos atentos a um período de transição entre o final do governo anterior e a chegada do atual. A diferença que aparece nos dados está na suspensão, para a avaliação, de campanhas sob o ponto de vista da renúncia de receita”, cita Gasparini.

Ele lembra que o crescimento da receita conquistado no final do governo anterior esteve vinculado a programas como o sorteio de prêmios para mutuários que tinham suas prestações em dia, a aplicação de juro zero sobre prestações atrasadas e a autorização, por um período, para o uso de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para quitar parcelas.

“São programas importantes que geraram resultado e que estão sendo reavaliados. Decidimos enviar processo para o Tribunal de Contas do Estado (TCE) para avaliar se essas ações podem ou não afetar renúncia de receita, já que a companhia abre mão de créditos para atrair inadimplentes. Após essa consulta no tribunal, que esperamos para os próximos dias, vamos lançar ações de recuperação do crédito”, comenta.

Segundo ele, a Cohab arrecadou R$ 2,3 milhões em janeiro passado, valor que se repetiu em fevereiro. Em março o caixa da companhia recebeu R$ 2,4 milhões e em abril R$ 2,2 milhões. No mesmo período de 2004, respectivamente, a empresa teve receita de R$ 2,6 milhões, R$ 2,5 milhões, R$ 2,8 milhões e R$ 2,5 milhões.

O comparativo mensal da inadimplência preocupa. Em janeiro de 2004 os que não quitaram suas prestações mensais responderam por 21,05% do total de mutuários contra 30,89% neste ano. Em abril do exercício passado, por exemplo, a inadimplência subiu para 24,82%. Mas em 2005 o resultado foi ainda pior: 35,79%, conforme o presidente.

Folha de pagamento

Conforme os dados apresentados pelo atual comando, a Cohab manteve estável os gastos com folha de pagamento neste início de gestão.

A folha de pagamento bruta continua em torno de R$ 177 mil, ou R$ 248 mil com todos os encargos, conforme Gasparini Júnior. O quadro de funcionários deixados pelo governo anterior praticamente não foi alterado. “Hoje temos 60 funcionários efetivos e seis de comissão. Substituimos apenas as funções de confiança, com uma vaga a menos nas assessorias. Vamos nos adequando à realidade da companhia e mantendo o aperto nas contas”, afirma.

Apesar dessa situação, o presidente da companhia confirma que ainda está pendente a avaliação sobre a contratação de cargos de assessoria. Entre os atuais indicados, gerou repercussão negativa no meio político a contratação de Elis Angela dos Anjos, para cargo de assessoria de gabinete, cuja oportunidade está sendo questionada.

Esta nomeação não foi bem digerida em função, sobretudo, do atual quadro de dificuldade financeira da empresa. A contratação da assessora foi realizada com vencimento de R$ 2,5 mil.

Gasparini Júnior argumentou que a assessora foi chamada para realizar serviço de depuração de contratos (regularização cadastral e financeira) para período temporário e, neste mês, já estaria deixando os quadros da empresa.

Apesar disso, a companhia ainda conta com funções de assessoria de viabilidade discutível, inclusive com a manutenção de pelo menos um integrante ainda do governo anterior, realidade conflitante com o quadro de queda de arrecadação, aumento da inadimplência e passivo de alto valor.

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