Tribuna do Leitor

Mãe preta (Uma mão rural, sem terra)


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Ela se chamou Marília, Lá na pia batismal; De índio e negra era filha; Bela etnia espiritual!

Bem cedo deixou a escola; No campo, trabalho duro. Vida digna, sem esmola, Do raiar do dia ao escuro.

Índio - sem terra - expulso, Triste, na vida seguia Caminho de quem é excluso, De bico, sobrevivia.

Dos quatro filhos nascidos Um cowboy, um jogador; Outro morto em tempos idos, E uma filha, sem amor...

E aquela filha ingrata, Que cedo, os pais desonrou, Foi, de todos, mais mimada, Na indisciplina ficou!

Nada de trabalho, estudo; Só roupa nova queria... Más companhias, contudo, Em sua falsa alegria...

A filha, a ser estudada; Foi a grande decepção... Tanta tristeza passada, Morre mãe, do coração.

Hoje, do vício escrava, Vive no bordel, ao léu... Mãe preta que tanto a amava, Mora agora, lá no céu! (Rubens Colacino - ABC/UBT)

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