Apreensão e medo. Há mais de dois meses, esses sentimentos são compartilhados pelos moradores da Vila Cardia, bairro que concentra 23 dos 32 casos de dengue de Bauru. O foco da doença na região pode estar relacionado ao grande número de terrenos baldios e casas antigas na área.
A Secretaria Municipal de Saúde confirmou anteontem mais quatro registros da doença. Três deles são autóctones - pacientes foram contaminados pelo mosquito Aedes aegypti doente em Bauru - e identificados na Vila Cardia. O outro caso é importado (contraído em outra localidade).
O coordenador do Programa Municipal de Controle da Dengue, Flávio Tadeu Salvador, ressalta que não há casos novos de dengue na Vila Cardia. Segundo ele, os registros divulgados anteontem são resultados de exames realizados no início de abril.
Apesar disso, a confirmação de outros casos de dengue no bairro deixou os moradores ainda mais preocupados. É o caso da dona de casa Lourdes Oliveira Bressan, que pensa em deixar a vila devido aos casos de dengue. “Estou preocupada demais”, confessa. “Ficamos apreensivos porque há muitos casos na vila. Estamos com um pouco de medo também”, revela a contabilista Lais Bernadete dos Santos, que vive no bairro há dez anos.
Angélica da Costa, proprietária de um salão de beleza na Cardia, compartilha do mesmo sentimento das vizinhas de bairro. “Estamos muito apreensivos. Uma das maiores preocupações é saber onde está o foco aqui no bairro. No fundo desse prédio, por exemplo, tem um terreno baldio e quando chove pode ficar ainda mais perigoso”, detalha.
“Estou preocupada porque já são muitos casos. Estamos sempre atentos, fazendo a nossa parte, mas será que os outros fazem a parte deles?”, cobra outra moradora do bairro, que preferiu não se identificar.
Terrenos
Os diversos terrenos baldios acumulando lixo e água parada são uma das principais reclamações dos moradores da Cardia. “Nós estamos tomando os devidos cuidados mas não sabemos onde está surgindo os casos da dengue. Há muito quintal e terreno sujo nessa região”, diz Lais dos Santos.
O aposentado Joaquim Santo Gracioli mora ao lado de um terreno abandonado, na Cardia, e concorda com ela. “Estamos preocupados com os casos de dengue na vila. Em casa não deixamos água parada nos vasos ou na vasilha do cachorro. Mas no terreno ao lado a turma costuma jogar muito lixo, copos e papéis”, reclama.
Além das visitas às casas e orientações dos agentes municipais de saúde e da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) realizadas desde o mês passado, um novo mutirão de combate à doença deve ser iniciado a partir de terça-feira na Cardia, diz Flávio Santana. “Vamos visitar casas abandonadas, orientando e verificando se há pessoas suspeitas de terem contraído a dengue que tiveram ou estão com febre”, detalha. “Pedimos que a população colabore para que a ação seja incisiva”, ressalta.
A forma clássica da doença leva a pessoa infectada a um quadro de febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos e nas costas. Já a dengue hemorrágica pode levar o paciente à morte. Para evitar a proliferação do Aedes aegypti e eliminar criadouros do mosquito, Santana orienta os moradores a não deixar vasos ou outros recipientes acumulando água.
Entre eles, calhas, condutores, lajes, ralos, cifões, ralos de quintal, trilhos de boxe do banheiro, enfim, todos os lugares que transportam ou acumulam água nas casas e que podem ser berçários para o mosquito”, reforça ele.
• Serviço
Os quadros suspeitos de dengue devem ser comunicados ao Departamento de Saúde Coletiva (DSC) pelo telefone (14) 3235-1458.