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Para não 'arranhar' a marcha

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Dos manuais mais simples até os modernos e sofisticados automáticos, os automóveis possuem diversos tipos de câmbios. Entretanto, apesar da variedade de transmissões, os cuidados com os equipamentos na hora da manutenção são basicamente os mesmos para todos os sistemas. As providências envolvem até mesmo evitar “vícios” e procedimentos inadequados ao volante.

Uma das precauções básicas com o câmbio - seja ele manual ou automático - deve ser a lubrificação. A exemplo do motor, ele necessita de óleo para funcionar com eficiência. “Por isso, é fundamental verificar periodicamente o nível do fluido em busca de possíveis vazamentos e seguir à risca o plano de manutenção do componente recomendado pelo fabricante no manual do proprietário”, ressalta o instrutor automotivo Edson Silva, da unidade bauruense do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

Neste caso, a preocupação deve ser ainda maior no caso de um veículo com transmissão automática. Isso porque elas operam com óleos específicos, que variam conforme o modelo do equipamento. “Eles (os óleos) não são iguais para todas. Por essa razão, caso seja necessário completar ou substituir o lubrificante, é fundamental atentar-se às especificações a fim de que o serviço seja feito com o óleo correto”, alerta Silva.

O instrutor informa, ainda, que os intervalos de troca de óleo das transmissões mais modernas não costumam obedecer à quilometragens mínimas. “A substituição do lubrificante por distância rodada é comum apenas para os veículos com câmbios automáticos mais antigos, como os anteriores a 1995, cuja checagem deve ser executada a cada 60 mil quilômetros. Nos demais, a vida útil do óleo é longa”, explica.

Silva orienta também atenção com outros componentes e cautela redobrada com serviços executados no motor que podem afetar diretamente o desempenho e, principalmente, a durabilidade das transmissões. “Essa preocupação deve ser maior no caso dos automáticos, pois uma vela queimada ou uma repotenciação mal feita podem comprometer seriamente esses câmbios devido à alteração da potência dos propulsores”, adverte.

Segundo o instrutor, descuidar da manutenção, especialmente das automáticas, é prejuízo certo. “Qualquer reparo em um câmbio automático é caro. Não é raro que os consertos de vazamentos e a troca de óleos custem mais de R$ 1 mil”, frisa. “Também é essencial buscar oficinas especializadas nesses sistemas para efetuar os cuidados necessários”, conclui Silva.

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Ao volante

Mas os cuidados com os câmbios também estão diretamente ligados com o comportamento ao volante, pois alguns “vícios” podem ser tão nocivos aos componentes das transmissões quanto a lubrificação incorreta do sistema.

Os donos de carros com câmbios manuais devem preocupar-se em trocar as marchas sem pressa, com engates suaves e com o pé bem “pisado” na embreagem. Tais procedimentos, além de auxiliar a economizar combustível, diminuem as chances das “arranhadas” e do desgaste prematuro do sistema. Além disso, o instrutor automotivo Edson Silva, do Senai/Bauru, destaca que é preciso atenção e cautela nas reduções de marcha. “Reduções bruscas, como de uma quinta para segunda, podem quebrar não só o câmbio como também causar sérios e onerosos danos aos motores”, salienta.

Já os proprietários de carros automáticos devem redobrar os cuidados em pisos de baixa aderência, como areia e lama, e nas descidas de serras, situações em que as alavancas jamais devem permanecer na posição “D” (drive, em inglês).

“Se o veículo começar a patinar em terrenos cuja aderência não é boa, os computadores que gerenciam as transmissões entenderão que o carro estará em velocidade e forçará as trocas de marchas. Assim, é fundamental colocar em uma marcha mais baixa. Nesse momento, também é essencial saber operar o câmbio, o que pode ser facilmente conseguido lendo o manual do proprietário”, enfatiza Silva. “Nas descidas de serras, o procedimento deve ser o mesmo”, completa.

Por fim, o instrutor recomenda utilizar o câmbio na posição “N” (neutra) quando o veículo permanecer muito tempo parado em um semáforo. “Se for demorar mais de um minuto, é recomendável passar para a neutra porque, na posição “D”, o motor ficará carregando o peso da transmissão sem necessidade, o que aumenta o consumo de combustível”, finaliza.

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Fique de olho!

• Um dos sinais que algo não está bom no câmbio são as “arranhadas”. Normalmente, as que apresentam mais problemas são a primeira e a segunda, em razão de serem as mais utilizadas

• Barulhos no câmbio com o carro em movimento também são “pistas” de que a “saúde” do componente não está boa

 Dificuldades para se trocar as marchas são problemas mais simples que podem ser resolvidos com pequenas regulagens

• Danos na embreagem também são fáceis de se constatar. Quando o veículo fica moroso ao sair em primeira marcha é indício de avaria no componente

• Evite arrancadas bruscas e andar demasiadamente devagar em determinada marcha, pois desgastam desnecessariamente a embreagem e o câmbio

• Outra mania capaz de provocar igual problema é a de “segurar” o carro na embreagem, ou seja, quando o condutor, com a primeira marcha engatada, não utiliza o freio de estacionamento ou de pedal para que o veículo não se movimente

• Não há nada de errado em deixar o carro embreado em um cruzamento, mas é imprescindível segurar o veículo no freio para poupar a embreagem

• Jamais deixe o pé na embreagem com o carro em movimento. É um hábito que causa desgaste desnecessário ao componente

• Regule a altura do pedal da embreagem do seu carro. Ela não pode ficar muito baixa, sob pena de desgaste prematuro de componentes

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