Ruas asfaltadas, baixa criminalidade, duas escolas e um clima de tranqüilidade comum às cidades do Interior fazem o Parque Santa Terezinha destoar da média dos bairros considerados “de periferia”, situados nas bordas mais distantes da cidade.
Localizado na última fronteira a leste de Bauru, o pequeno conjunto de casas é definido por seus moradores como um lugar tranqüilo para se viver. “Aqui o trânsito é calmo e as crianças podem brincar nas ruas sem preocupar os pais”, resume a dona de casa Luciana de Oliveira, 25 anos, dez deles vividos no local.
Oliveira até enumera as principais carências do bairro, como baixa freqüência dos ônibus e a falta de um posto de saúde, o que obriga seus moradores a deslocamentos de mais de dois quilômetros para se chegar à unidade mais próxima, no Núcleo Octávio Rasi. “Em caso de emergência, fica complicado”, admite.
Também reclama a falta de uma farmácia, mas elogia os baixos níveis de criminalidade. “Gosto deste sossego”, completa, enquanto caminha no meio da rua com o filho Carlos Henrique, de 10 anos.
Já o funcionário público aposentado Belarmino Cypriano, 68 anos, diz que mora no Santa Terezinha desde 1964, quando começou a trabalhar no Hospital Lauro de Souza Lima, complexo separado do bairro apenas por uma cerca. “Isso aqui (o bairro) é uma irmandade, onde todo mundo se conhece”, comenta.
O comerciante Manoel Ferreira Vanderlei, 60 anos, reforça o caráter de tranqüilidade do local, onde admite existir apenas algumas “briguinhas de boca”. Ex-caseiro que cuidava que chácaras na zona rural, Vanderlei chegou há 15 anos ao bairro e logo transformou a garagem de sua casa numa pequena venda, onde comercializa desde balas e confeitos até legumes e frutas.
“Comecei vendendo só limão, depois fui ampliando”, conta. Hoje, porém, ele reclama da concorrência dos mercados e mercearias, mas diz que ainda assim retira o sustento de sua família do movimento na pequena venda.