Bairros

Região oeste reclama do esquecimento

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 1 min

Ao deixar o “privilegiado” extremo norte rumo à região oeste, num movimento anti-horário na rosa-dos-ventos, a reportagem começa a se deparar com uma realidade completamente diferente: ruas de terra, erosões, transporte público deficiente, ausência de escolas e uma população revoltada.

“Estamos esquecidos pelo poder público”, revolta-se o vidraceiro Pedro Ricardo, 47 anos, que mora no Parque Val de Palmas com a mulher e quatro filhos desde 1998, justamente quando terminou o trabalho em mutirão que ergueu as cerca de 110 casas do bairro.

Localizado no ponto extremo a oeste, o Val de Palmas tem ruas intransitáveis – sem asfalto e galerias –, o que acaba fazendo com que as linhas de transporte público que atendem à região passem apenas no núcleo vizinho, o Leão XIII. Ricardo, ex-dirigente da associação de moradores do bairro, diz que já enviou pedidos (à Emdurb) para que os ônibus “desçam” até as ruas do núcleo. Nenhum foi atendido.

Com isso, o acesso a alguns equipamentos públicos também inexistentes no núcleo, acaba severamente prejudicado – escolas e posto de saúde mais próximos estão localizados na Vila Dutra, a no mínimo dois quilômetros de distância.

Do quintal de sua casa, onde cultiva árvores frutíferas e hortaliças, Ricardo vislumbra uma grande área de mata nativa só cortada ao longe pela rodovia Bauru-Marília. Ricardo não sabia que Bauru “terminava” na cerca de seu quintal, mas garante que nem mesmo a bela vista compensa as dificuldades.

Some-se a este cenário o clima de intranqüilidade gerado pela criminalidade da região, o que obriga o vidraceiro a “prender” suas filhas dentro de casa. Ricardo já teve planos de ampliar sua casa – tem até um milheiro de telhas armazenado no quintal –, mas sucumbiu à desesperança. “Se pudesse, mudaria daqui”, diz.

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