Bairros

A vida nas bordas

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 2 min

A idéia de se morar nos limites extremos de uma cidade e a preconceituosa associação entre periferia e miséria absoluta podem levar a precipitadas conclusões. Pelo menos foi isso o que constatou o JC nos Bairros, que visitou alguns destes limites e notou que nem toda a borda da “grande pizza” chamada Bauru é sem recheio.

Para sistematizar a análise, a reportagem elegeu como foco de suas visitas os pontos cardeais extremos da cidade (norte, sul, leste e oeste), procurando moradores e personagens que vivem exatamente na última rua do mapa, muitas delas delimitadas por cercas de arame farpado, indicando que, ali, a cidade “acaba”.

Propositadamente, foram excluídos deste exercício os condomínios fechados, alguns deles localizados além do “fim” da cidade, uma vez que a realidade urbanística nestes locais pode seguir uma lógica diferenciada daquela vivida pelo “cidadão comum”.

É lógico que grande parte destas bordas urbanas de Bauru ainda passam por necessidades extremas, com carências que vão desde os serviços básicos (transporte público, asfalto, escolas e postos de saúde) até os não tão básicos assim (serviços, comércio e lazer).

Mas, curiosamente, nos limites cardeais extremos, pelo menos em dois casos a população vê mais vantagens do que problemas em morar na “borda” da cidade. São os casos dos moradores do Parque Nova Bauru, no extremo norte, e do Parque Santa Terezinha, na ponta leste, recantos onde a inconveniente distância do centro comercial ou dos equipamentos urbanos é compensada pela tranqüilidade e pela atmosfera bucólica.

O mesmo não ocorre nos dois outros pontos cardeais, mas por motivos diferentes. No ponto mais distante a oeste, a população enfrenta dificuldades de toda sorte, encara desafios nas ruas de terras esburacadas, grandes erosões e acredita estar completamente esquecida pelo poder público.

Já no extremo sul, o Parque Marabá - mesmo tendo suas ruas riscadas no mapa com seus respectivos nomes - está tomado em parte pelo mato e ou por invasões de posseiros. Ainda assim, os poucos moradores da região gostam do lugar por conta de seu aspecto “rural”, com propriedades mais parecidas com sítios que com “casas da cidade”. Leia como é viver em cada uma das pontas da rosa-dos-ventos.

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