Um estudo divulgado há cerca de 15 anos nos Estados Unidos colocou a humanidade contra os ovos. A pesquisa dizia que o produto continha uma quantidade muito grande de colesterol e, por isso, era uma ameaça à saúde humana. Poucos anos depois, outros estudos provaram que não é bem assim. Mas o “estrago” já estava feito e o consumo de ovos despencou.
Só nos Estados Unidos, a notícia provocou queda de 25% do consumo de ovos per capita (de 305 unidades por ano em 1972 para 235 unidades em 2002, o que equivale a 4,5 ovos semanais por habitante). O pico de consumo per capita naquele país ocorreu em 1945, quando foram consumidos 405 ovos por pessoa por ano, ou seja, 7,8 ovos por semana.
Hoje já se sabe que para alcançar o padrão de risco condenado pelo Centro da Ciência no Interesse do Público (CSPI), seria necessário que o consumo alcançasse dois ovos diários por pessoa e nem nos Estados Unidos o consumo se aproximou desse índice.
Em palestra ministrada no Brasil em 2003, o então diretor do “Egg Nutrition Center”, Donald McNamara, comentou que ao ingerir sete ovos por semana, um indivíduo teria um acréscimo de colesterol na dieta de 710 miligramas por semana (101 miligramas por dia). Isso, segundo ele, representaria uma elevação do colesterol sangüíneo de 2,2 miligramas por decilitro (ml/dl), valor considerado insignificante.
Nos últimos anos, o brasileiro voltou a comer ovos, mas ainda com certo receio. Para reverter esse quadro e acabar de vez com o preconceito, a Associação Paulista de Avicultura (APA) está preparando uma campanha que tem como objetivos principais esclarecer o consumidor sobre as propriedades nutricionais dos ovos e, com isso, reativar o consumo do alimento no País.
O diretor executivo da APA comenta que o consumo de ovos no Brasil manteve-se estável durante vários anos. Em 1990, cada brasileiro comia, em média, 89 ovos por ano. No ano 2000, eram 94 ovos por habitante por ano. Para ele, a oscilação indica apenas um crescimento vegetativo, já que é preciso considerar também o crescimento da população nesse período.
“No ano passado, conseguimos elevar esse consumo para 123 ovos per capita por ano. Mas, comparado com os países desenvolvidos, isso representa 50% da média. No Japão, por exemplo, onde a incidência de problemas cardíacos é mínima, são consumidos 350 ovos por pessoa por ano. Ou seja, o brasileiro ainda consome poucos ovos”, compara.
Segundo Teixeira, em 2004, o Brasil produziu 20 bilhões de ovos, o que equivale a 2,14% da produção mundial. Para ele, o País tem enorme potencial para aumentar essa produção a curto prazo, pois é um dos países mais abastecidos de matéria-prima (milho e soja) para o trato dos animais. “Para esse ano, estamos projetando a produção de quase 22 bilhões de unidades, um aumento de 5%”, comemora.
Mas os avicultores querem mais e a APA está planejando uma campanha em massa de orientação com o objetivo de eliminar qualquer suspeita acerca dos ovos. Com o slogan “Comece bem o dia comendo ovos”, a APA informa que está elaborando um cronograma de ações, que deverão ser iniciadas no segundo semestre deste ano.