Em outubro de 1968, o então jovem estudante Milton Dota foi preso durante a realização do Congresso da UNE em Ibiúna-SP.
Por pressões da FAC - Frente Anti Comunista - de Bauru, capitaneada pelo promotor público Silvio Marques Júnior, acabou por ter sua prisão preventiva decretada ao lado de lideranças nacionais do Movimento Estudantil, o popular ME, tendo seu pedido de habeas-corpus negado pelo ministro do Superior Tribunal Militar (STM) e posteriormente pelo Presidente da República, Ernesto Geisel.
Depois de terem suas prisões regularizadas, puderam receber visitas de seus familiares e no Carandiru, Dota recebe a visita de sua esposa, Mary Nair, que dentre outras coisas levava uma grande peça de mortadela enviada pelo velho Pedroso, meu pai.
Milton Dota não se conteve e dizia aos companheiros de cárcere, como bom italiano que é:
- Pessoal... esta mortadela é socialista! É uma “feta†só para cada, para sentir melhor o gosto!
E como bom socialista, dividiu o equivalente a uns 15% da mortadela com os companheiros de prisão, guardando o restante embaixo da cama - a sua, é claro! (contada por Antonio Pedroso Júnior)