Economia & Negócios

Erro de 'cálculo' dos filhos faz mães trocarem presentes

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A dona de casa Flávia Roda não calculou bem os quilinhos a mais conquistados pela mãe e um dia depois de presenteá-la com uma blusa voltou à loja para trocá-la. O caso dela não é incomum. Ontem o movimento no Calçadão da Batista de Carvalho e no Bauru Shopping aumentou quase 10% por causa das trocas, segundo estimativa da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib).

O cálculo também leva em conta os retardatários, como é o caso de Waldete Urzedo Santos. Para não incorrer em erro, ela preferiu esperar um dia para presentear a mãe. “Ela não gosta de nada do que eu dou”, confessa. Antonia da Silva Urzedo admite ser “cricri”, mas não escondeu a tristeza por não ser presenteada no Dia das Mães.

“Ela queria me levar para comprar no sábado, mas foi uma correria, não deu. Depois fiquei chateada (de não ganhar nada). Até chorei”, diz. Apesar de ser bem mais fácil de agradar, Dona Laura Gonçalves Santana também não conteve as lágrimas no domingo. A data trouxe de volta lembranças da mãe e da filha que perdeu. “O presente alivia a dor. Ganhei muitos, até do meu bisneto”, conta. Ontem ela também retornou ao Centro para trocar um par de brincos.

A história da dona de casa Rosa Claro Teixeira é semelhante. Assim como as outras mães, ela esteve ontem no comércio porque o golpe de vista das filhas falhou. “Compraram uma jaqueta grandona. Eles me ligaram para eu vir junto (fazer a compra), mas não deu. É difícil acertarem”, afirma. Já erro é raridade na família de Margareth Empke de Oliveira Ribeiro, mas aconteceu neste Dia das Mães.

“Como a gente voltou de viagem ontem (anteontem), achei que meu pé estava inchado”, comenta, ao escolher outro par de sapatos com numeração maior. Na mesma loja, Júlia Pelissari também trocou um calçado, cuja numeração estava correta, mas o modelo era grande. “Só fico chateada de amolar (a nora, que a levou até a loja)”, explica. Mas têm direito ao vaivém até quem escolheu pessoalmente o próprio presente.

“Na hora achei legal, depois quis outra cor”, confessa Gisleide dos Santos. Esse tipo de troca não é obrigatória (leia quadro nesta página), mas alguns lojistas facilitam para assegurar o cliente, alerta o coordenador do Procon, órgão de defesa do consumidor, Amauri Roma. Até mesmo a esposa dele voltou ao comércio para trocar um celular. “Eu ganhei, mas não funcionou. Fiquei decepcionada. Todo mundo ficou chateado. Gostei do modelo, mas achei um outro melhor. Paguei a diferença”, assume Mara Rúbia da Silva.

Também foi por causa de um celular que Sueli Estevan visitou o comércio ontem. “Vim aprender (a usá-lo). Ganhei da minha mãe. Para ela eu comprei bombons”, diz. Tantos presentes comprados fizeram com que as vendas no Dia das Mães atingissem as expectativas dos lojistas, ou seja, superar em 20% os números registrados no ano passado.

“Apesar dos juros altos, que acarretam fatores como desemprego e inadimplência, por enquanto as vendas ainda foram bem. Ficaram dentro da expectativa”, reitera Cássio Carvalho, presidente da Acib e vice-presidente da Associação dos Lojistas do Bauru Shopping.

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Direitos

Na hora de voltar à loja

• Comerciante não é obrigado a trocar produto por motivo de cor, tamanho ou gosto, mas sim em caso de defeito

• De acordo com o Procon, a troca deve ser efetuada em até 30 dias

• Passado o período, em caso de eletrodoméstico, a assistência técnica deve ser acionada

Antes de comprar

• Observe a mercadoria ou solicite a um técnico que verifique a condição dele

• Teste o eletrodoméstico na frente do entregador

• Em caso de prestação, observe cláusulas contratuais

• Havendo promessa de troca em caso de cor, tamanho ou gosto, peça que o comprometimento seja apresentado por escrito na nota fiscal, recibo ou qualquer outro comprovante de compra

• A nota fiscal deve ser exigida sempre

Fonte: Procon

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