Regional

Usina anuncia instalação em Iacanga

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 5 min

Iacanga - Em maio de 2008 uma nova usina de açúcar e álcool entrará em funcionamento na região. A iniciativa vai beneficiar diretamente os mais de 8 mil moradores de Iacanga (50 quilômetros a norte de Bauru). A usina vai se instalar na Fazenda Nova e num prazo de dez anos deverá estar moendo cerca de 1,5 milhão de toneladas de cana. A fazenda fica no quilômetro 398 da rodovia Cezário José de Castilho (SP-321), distante cerca de sete quilômetros da cidade.

De início, a empresa deve gerar cerca de 500 empregos diretos e outros 1.500 indiretos. Desta forma, o trabalho na lavoura da cana vai se tornar a maior fonte de emprego e renda da cidade.

Hoje, as terras em Iacanga são ocupadas quase que exclusivamente por pastagens. Dos 55 mil hectares que pertencem ao município, o pasto ocupa 33 mil. Apenas 5 mil hectares são destinados à plantação de cana. Uma área ainda menor, cerca de 2,4 mil hectares, está reservada para o cultivo da laranja. Os 14,6 mil hectares restantes são ocupados por culturas diversas como milho, feijão, alho e outras.

A prefeitura ainda não mensurou o impacto financeiro que a implantação da usina vai provocar nos cofres municipais, mas o prefeito Ismael Boiani (PSDB) sabe que não será pequeno.

Por esse motivo, ele foi procurar ajuda junto ao governo do Estado para a construção de casas populares para atender os novos moradores que devem chegar ao município atraídos pela oferta de emprego e também os próprios moradores.

De acordo com o prefeito, o déficit habitacional de Iacanga gira em torno de 200 casas. Após a entrada em operação da usina, ele acredita que o déficit subirá para 400 casas. “Se forem construídas 100 casas por ano, vamos conseguir zerar esse déficit”, calcula o prefeito. Na semana passada, ele esteve na Secretaria de Estado da Habitação e saiu de lá animado com promessa de apoio.

Além de oferecer casas aos trabalhadores, o município teve de correr atrás de outras conquistas para poder oferecer uma infra-estrutura boa o suficiente para atrair a usina. Entre essas conquistas estão pontes metálicas para garantir segurança no transporte da cana (faltam apenas duas para concluir a melhoria) e o alargamento ou cascalhamento das estradas rurais.

O governo já prometeu incluir sete quilômetros de estrada do município no programa Melhor Caminho. Segundo o prefeito, isso deverá ser o suficiente para deixar todas as estradas rurais em boas condições de tráfego.

Segundo explicou Ricardo Titoto Neto, um dos proprietários da futura Usina Iacanga, este ano será plantado 150 hectares de cana para a extração de mudas. Em 2006, a área plantada deverá saltar para 1.000 hectares. No ano seguinte, a previsão é ampliar para 3 mil hectares e, em 2008, quando a usina iniciar as atividades a estimativa é de que haja 10 mil hectares de cana plantados. A expansão, segundo Titoto Neto, vai depender do desempenho do setor nos próximos anos.

Inicialmente, a empresa vai fabricar apenas álcool. Somente depois de quatro anos de funcionamento, a produção deverá ser voltada também para o açúcar.

Burocracia

Embora não tenha obtido ainda a licença para o funcionamento da usina, Titoto Neto afirma que não existe nenhum impedimento legal que o impeça de iniciar as negociações e os preparativos de instalação da empresa. “Todos os estudos e levantamento já foram feitos. Só estamos dependendo de um protocolo de um órgão que está em greve. A chance de dar certo é de 99,9%”, declara o empresário, que tem usina em Mococa e Descalvado.

Ele revelou ainda que toda a cana será produzida em terras arrendadas ou comprada de fornecedores. A contratação de empregados, no entanto, será feita diretamente pela usina. Segundo Titoto Neto, somente 10% da mão-de-obra deverá ser terceirizada.

Pouca gente será contratada para trabalhar no corte da cana. A colheita será toda mecanizada. A necessidade maior será para a contratação de motoristas, tratoristas e de gente para trabalhar no processamento da cana e no setor administrativo.

Titoto Neto não sabe exatamente quanto Iacanga vai receber de imposto quando a usina entrar em operação. Ele contou que o dinheiro vai para o governo do Estado e depois é devolvido para o município de acordo com alguns critérios, como número de habitantes, por exemplo. “Não sei exatamente quanto a cidade vai ganhar com a usina, mas com certeza não será pouco”, afirma.

Atualmente, a arrecadação do município é de aproximadamente R$ 650 mil por mês. Pelas contas do prefeito Boiani, com a usina e o combate à sonegação esse valor deverá dobrar daqui a quatro anos.

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Comerciantes festejam

A notícia de instalação de uma usina de álcool na cidade foi motivo de muita comemoração entre os comerciantes de Iacanga. Quando entrar em funcionamento, daqui a três anos, as vagas para trabalho vão praticamente zerar o índice de desemprego na cidade. Além disso, haverá uma circulação maior de dinheiro.

Júlio Tanaka, dono de um supermercado, prevê que após a chegada da usina o nível de inadimplência no comércio também deverá cair bastante. “(A instalação da usina) é uma dádiva de Deus, porque nós temos muita mão-de-obra, mas pouco emprego”, disse. “Espero que dê certo e a usina fique por aqui por muito tempo.”

Nem mesmo os incômodos provocados pela presença do famoso “carvãozinho” desanima o comerciante. “É algo insignificante diante do benefício que vai nos trazer”, compara. O “carvãozinho” são pequenos pedaços de palha de cana queimada. Ele afeta principalmente os moradores que estão mais próximos dos canaviais.

Tanaka já pensa até mesmo em ampliar seu supermercado para atender uma demanda maior de consumidores. Os planos são compartilhados também por Carlos Alberto Monari, dono de dois supermercados em Iacanga.

Ele não tem planos de construir um terceiro estabelecimento, mas iniciou estudos para saber da viabilização de se aumentar os que já existem. Pelo menos uma mudança está praticamente decidida, a instalação de padarias nos dois mercados.

Mesmo três anos antes da usina iniciar suas atividades, pelo menos uma pessoa já conseguiu emprego. Eli Donizeti Cardoso, 31 anos, que trabalha há 14 anos com leilões de gado, foi contratado para intermediar o arrendamento de terras. Ele iniciou o serviço há cerca de um mês e já conseguiu garantir a plantação de 2006. Ou seja, 1.000 hectares já foram arrendados. Segundo ele, o fato de conhecer os fazendeiros da região por causa dos leilões que fazia facilitou bastante sua tarefa.

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