Tribuna do Leitor

Fé, esperança e caridade...


| Tempo de leitura: 4 min

Pensei muito antes de me manifestar sobre o momento místico que você, em breve, estará acabando de vivenciar.

Os motivos que me levaram a meditar sobre essa minha atitude nós já conversamos e dizem respeito às prováveis alusões que possam relacionar a minha antiga função de delegado da Receita Federal em Bauru com a sua expressiva posição no comércio local e estadual.

Confesso, não foi fácil, mas ao ponderar todas essas circunstâncias, acabei por me decidir pelos valores mais fortes que nossa religião nos impulsiona e, conseqüentemente, pelos sentimentos calcados nos mais sublimes dos mandamentos...

“Amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a ti mesmo.”

Não poderia me furtar à minha solidariedade a você e a toda sua família, com receio e temor do que os “outros” possam estar pensando ou deixando de pensar. Afinal, nunca nos faltou transparência em nossos poucos contatos profissionais... Muito pelo contrário!

Pensando assim, concluí: afinal para que servem os amigos e a conseqüente amizade? Nosso convívio remonta à época do curso universitário na saudosa Faculdade de Engenharia da Fundação Educacional de Bauru, nos idos tempos da década de 70 e do nosso Ciente.

E agora, neste momento de minha vida, trabalhando com valores éticos e sociais, pregando conceitos cidadãos e tentando resgatar em nosso povo e em cada um de nós os valores morais e cívicos que possam modificar o modelo social que hoje vivenciamos, não poderia negar essa singela, mas sincera demonstração de carinho e admiração... Afinal é meu coração que está falando.

Seria uma “covarde omissão” da minha parte e não receio a minha exposição. Danem-se aqueles que pré-julgam, pois deles muito será cobrado. Danem-se aqueles que sentem inveja, pois o que é bom, certo e honesto tem de se tornar público e nossa amizade está acima de tudo isso.

O que é certo deve ser enaltecido e o que está errado deve ser sim, sempre denunciado. Em algumas poucas rodas de bate-papo que tive oportunidade de conversar, tendo em vista minhas constantes ausências de nossa cidade, tive o desprazer (confesso que tive vontade de sair para briga) de ouvir e observar em algumas pouquíssimas pessoas, uma mesquinharia e uma insensibilidade (para não dizer inveja) com relação à situação criada pelo incêndio, quando manifestadamente, alguns seres, que colocaria em dúvida se são realmente “humanos”, blasfemavam dizendo que você não tinha razão para “tanto” sofrimento, haja vista que o seguro estava pagando tudo e que “o Jad” estaria com o bolso cheio...

Ora, que ridículo e que falta de sensibilidade! Pelo amor de Deus! E o que se passa por dentro do nosso corpo? E o que nos move a sermos o que somos? Sem contar as brincadeiras (???) de muito mau gosto nos dias seguintes. A sua irmã Ivete me contou lá na clínica do Sérgio o que acabou mexendo ainda mais com o emocional de toda a sua família... Realmente eu não poderia deixar passar em branco este momento.

Enfim, deixo aqui, nessas sinceras palavras, mas que brotam do fundo do meu coração, o meu mais profundo desejo de sucesso, de alegria e de agradecimento, pelo magnífico exemplo que não só você, mas toda a família Confiança, nos demonstra nessa oportunidade. Vocês nos proporcionam um show de profissionalismo, acompanhado de uma extrema dose de responsabilidade social.

Como lhe disse ao telefone, no dia do ocorrido: “Deus não nos dá o fardo mais pesado do que nossas possibilidades de suportar...”

Você mostrou a todos que homens predestinados não são pessoas que se lamentam e que se escondem dos obstáculos. Pelo contrário, fazem deles um trampolim para saltos mais altos.

E não são saltos financeiros, mas outros, com base no caráter, na índole e na consideração para com toda uma sociedade. Como se fala no mercado comercial... Você provou a sua fidelização para com seus clientes. O Grupo Confiança prova o seu compromisso com a responsabilidade social.

Nesses poucos dias decorridos desde o incêndio até hoje, as compras de supermercado me causaram muito transtorno, pois a sua loja da Falcão não me é tão conhecida como o Max, onde a gente já sabe o local de um pacotinho de colorau até o pacote de sabão em pó e o litro de whisky. Mas por fidelidade a você deixei sim de comprar em lojas muito mais próximas de casa.

Confesso... Fiquei literalmente perdido. Para mim esse período foi terrível, mas certamente para você foi infinitamente mais difícil.

Você conseguiu passar para mim, uma mensagem extremamente positiva nas poucas vezes que pudemos nos falar durante esse período.

Você me proporcionou vivenciar a força do tríduo fé, esperança e caridade.

Você me deu essa oportunidade.

Por fim, quero lhe dizer que tenho muito orgulho de me considerar seu amigo.

São homens e seres humanos como você que me fazem fortalecer a crença de que podemos modificar a nossa condição social de hoje e mais: são exemplos vivos de que as dificuldades profissionais são totalmente superadas com a força do coração. Abraço fraternal, como o é o seu Natal.

Celso Gomes Pegoraro

Comentários

Comentários