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Greve na AHB continua até pagamento

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Já não é mais ameaça. Ontem, a maioria dos 1.200 funcionários da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) entrou em greve em resposta aos quatro sucessivos atrasos no pagamento dos salários, que deveriam ser depositados no quinto dia útil de cada mês. Mas a paralisação, prevista para continuar até que o dinheiro caia na conta, não resultou em prejuízo grave aos pacientes que ontem procuraram o Hospital de Base, Maternidade Santa Isabel e Hospital Manoel de Abreu, entidades geridas pela AHB.

Do quadro total de trabalhadores, 30% foram mantidos no exercício da função para atender, mesmo que precariamente, os cerca de 1.000 pacientes diários dos três hospitais. Além disso, as equipes dos serviços de urgência e emergência asseguraram assistência integral.

“Não existiu prejuízo. Talvez o serviço tenha sido mais moroso, mas só. Entre 65% e 70% aderiram à greve no HB, na maternidade e no Manoel de Abreu”, diz o vice-presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimento de Serviço de Saúde em Bauru, Carlos Alberto Segura.

As informações prestadas por ele são confirmadas pela diretoria da AHB, para quem a adesão foi maior no Manoel de Abreu e na Maternidade Santa Isabel, onde houve dificuldade de manter os 30% no centro cirúrgico. Apesar disso, pacientes consultados pelo JC não condenaram a mobilização, embora tenham se queixado da lentidão no atendimento. “Demorou, mas sempre demora mesmo. A greve é justa porque eles têm direito de lutar pelo que é deles”, conclui Mary Braga.

O embate, no entanto, deve chegar ao fim amanhã. “Até quinta-feira o pagamento está garantido. Talvez até amanhã (hoje). Estamos tentando crédito. A AHB está passando por dificuldade (em função da baixa remuneração paga pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por procedimento médico)”, explica o presidente da associação, Joseph Saab.

Ele reitera que 85% do montante necessário para a manutenção dos três hospitais são provenientes do SUS. Mas como a tabela está defasada, a AHB absorve déficit mensal de cerca de R$ 300 mil. “Nós precisamos de R$ 4 milhões por mês. Estamos nos mantendo em pé porque o governo do Estado tem ajudado”, acrescenta Saab. Coincidentemente, a Secretaria de Estado da Saúde informou ontem a liberação de R$ 449.684,00 à AHB.

Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde, o repasse servirá justamente para auxiliar unidades de saúde que sofrem com a falta de reajuste da tabela de procedimentos do Ministério da Saúde. A iniciativa é bem-vinda, mas não deve resolver o problema imediato de paralisação nas três unidades, pondera a diretoria da AHB.

Sindicato e funcionários prometem manter o estado de greve até o pagamento e retomá-lo caso o atraso volte a acontecer nos próximos meses. Ontem, os funcionários se mantiveram em frente às unidades de maneira pacífica, confirma a Polícia Militar. Representantes do Ministério da Saúde não foram encontrados para comentar o assunto porque ontem foi ponto facultativo em Brasília.

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Procuradoria

A insatisfação dos funcionários da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) com o atraso dos salários não é novidade para o Ministério Público do Trabalho. A procuradoria já realizou uma audiência de conciliação para tentar resolver o problema e agendou a segunda para dia 17. Mas diante da greve, ela foi antecipada para hoje à tarde.

De acordo com o procurador Luís Henrique Rafael, serão convocados para audiência representantes da AHB, do Sindicato dos Empregados em Estabelecimento de Serviço de Saúde em Bauru e da Direção Regional de Saúde (Dir-10). “A AHB alegou (na primeira audiência) que o SUS atrasou os repasses. A verba é federal, mas quem administra é a DIR-10, por meio da Secretaria de Estado da Saúde”, afirma Rafael, ao esclarecer a convocação da DIR-10.

O procurador quer aproveitar a ocasião para investigar as razões que levaram a AHB a atrasar o pagamento do salário dos funcionários e para verificar se o atendimento mínimo aos pacientes foi mantido.

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