A Estância Balneária Águas Virtuosas transformou-se numa ilha dentro do município de Bauru. O bairro é desprovido de telefonia fixa, não é atendido pela Empresa de Correios e Telégrafos, as ruas não são iluminadas e os moradores estão privados de transporte coletivo. O cordão de isolamento só não é maior porque todo ano a administração municipal envia rigorosamente o carnê do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) às residências.
“Eu não me recuso a pagar. Fico revoltado porque não temos infra-estrutura. Todo mundo aqui fica. Eu brigo pelos meus direitos”, diz o morador Adeuvair Escritori. A insatisfação dele já bateu às portas do Legislativo e deve chegar ao Ministério Público, onde pretende protocolar denúncia sobre a situação.
Já Maria Aparecida da Silva perdeu as esperanças. Colocou a casa à venda. “O lugar é gostoso, mas por causa disso tudo vou embora. Meu cunhado e minha sogra também estão vendendo (os imóveis). Minha filha queria me mandar um presente no Dia das Mães, mas não deu porque não tem Correio”, comenta.
De acordo com a assessoria de imprensa da Empresa de Correios e Telégrafos, um técnico será deslocado até o bairro para checar se ele atende às exigências da portaria 311, de dezembro de 1998. Ela estabelece como condição para distribuição postal alguns itens. Entre eles, que as ruas sejam oficializadas junto à prefeitura e possuam placas identificadoras, que os imóveis tenham numeração oficial, com critérios de ordenação crescente, além de caixa receptora de correspondência.
A portaria ainda coloca como necessárias as condições de segurança e de acesso aos carteiros. Mas a eventual dependência de transporte coletivo é problema no bairro, que conta atualmente com 1.215 lotes. Há cerca de dois anos, os circulares deixaram de percorrer a região porque a demanda era muito baixa, informa a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).
A situação só não impede que os oito filhos de Aparecido Queiroz fiquem fora da escola porque a Secretaria Municipal de Educação garante transporte para os alunos. Com tantas crianças, quando a situação aperta e o telefone torna-se imprescindível, ele conta apenas com um orelhão, instalado bem distante de casa e normalmente quebrado.
O orelhão ainda não funciona. Mas segundo a assessoria de imprensa da empresa de telefonia, essa nova instalação está em estudo e o reparo do único disponível será providenciado.
Ainda de acordo com a assessoria de imprensa da Telefonica, as determinações da regulamentação em vigência para instalação de telefones fixos são respeitadas. O conteúdo da determinação não foi informado, atribuição que seria de competência da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Por sua vez, a agência aponta como exigência a instalação de orelhão em localidades com mais de 100 pessoas.