Os consumidores do Interior do Estado gastaram 14% mais com alimentos, bebidas não-alcoólicas e itens de higiene e beleza em 2004 do que a média nacional. A informação é da assessoria de imprensa da Associação Paulista de Supermercados (Apas).
Os dados fazem parte da pesquisa “Supermercado sob Medida para o Consumidor”, feita pela empresa LatinPanel, a pedido da entidade dos supermercadistas.
De acordo com o levantamento, o desembolso das famílias nos estabelecimentos comerciais com os produtos citados foi de aproximadamente R$ 313,38 por mês, enquanto a média nacional ficou em R$ 274,90. Na Grande São Paulo, o valor verificado foi de R$ 285,89.
No geral, no entanto, as famílias da Capital consomem mais. A média mensal verificada é de R$ 325,30 na Grande São Paulo, contra R$ 316,70 no Interior e R$ 310,50 nacionalmente.
A pesquisa usou como metodologia um questionário aplicado no mês de março, além de um acompanhamento semanal que é feito com 8,2 mil famílias em municípios com mais de 10 mil habitantes em todo País.
O gerente comercial de uma rede de supermercados de Bauru, Paulo Sanches, destaca que esse resultado se confirma justamente pela posição do Interior de São Paulo com relação ao restante do País. “É o segundo PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil, ou seja, é a área que mais cresce depois da Grande São Paulo.”
De acordo com o consultor de empresas Carlos Sette, o índice não causou surpresa. “Uma série de fatores impulsiona esse número. Por exemplo, o desemprego é menor no Interior e a renda das pessoas é maior”, classifica. Segundo ele, os itens analisados são os que mais atraem os consumidores aos supermercados. “Nessa parte da pesquisa, não estão incluídos produtos da cesta básica, mas produtos básicos de consumo”, frisa.
O diretor regional da Apas em Bauru, José Flávio Cabreira Fernandes, revela que o consumidor do Interior possui uma renda maior do que o da Capital e que costuma freqüentar mais os supermercados. “Na cidades de maior porte, como São Paulo, por exemplo, as pessoas cultivam o hábito de almoçar fora e gastam menos em compras nos supermercados”, ressalta.
A facilidade no pagamento e o aumento do mix de produtos nesse tipo de estabelecimento também são fatores apontados como determinantes para a atração dos consumidores. “Isso, somado ao bom atendimento, ajuda a aumentar a procura pelos supermercados”, afirma o gerente de compras de outra rede de Bauru, Marcos Renato Lourenção. Ele destaca que o estabelecimento para o qual trabalha registrou aumento nas vendas no ano passado, fato atribuído a investimentos em diversificação de produtos e qualidade no atendimento. “As pessoas querem preço bom e oferta de produtos”, destaca.
Fidelização
A pesquisa foi divulgada esta semana na feira que a Apas está promovendo em São Paulo. Além do valor gasto nos estabelecimentos, o levantamento confirmou ainda que é também no Interior que o consumidor se torna mais fiel ao supermercado.
“Na Grande São Paulo, o índice de fidelidade ao canal (supermercado) é maior - 57% -, bem como o percentual do valor gasto pelas famílias - 67%. Mas é no Interior que o grupo de fiéis tem peso maior - 59% e o desembolso no canal ganha maior relevância - 71% dos gastos das famílias”, diz o estudo.
Para Sette, isso acontece devido ao atendimento personalizado que os estabelecimentos podem propiciar nas cidades de menor porte. “No Interior, muitas vezes o proprietário do supermercado chama o cliente pelo nome. Isso faz a diferença.
A dona de casa Vera Lúcia Simioni confirma a premissa. Ela diz que é “fã” de uma rede de supermercados e costuma sempre fazer compras no mesmo lugar. “Lá tem qualidade e preço razoável”, destaca.
Embora a loja fique longe de sua residência (do outro lado da cidade), ela conta que prefere atravessar as avenidas movimentadas e garantir boas compras, em vez de ir até o estabelecimento perto de sua residênica. “Só venho neste outro em último caso”, frisa.
Ela disse que mudou sua atitude depois que houve a troca de direção da rede vizinha. “Antes, era amiga de todos os funcionários, conhecia o gerente, me sentia em casa. Depois que foi vendido, a maioria dos funcionários saiu e eu não vou mais lá.”
A dona de casa Eliana Moreno compartilha da mesma opinião. “Já fui em outros lugares atrás de ofertas e me dei mal; o produto era muito ruim. Por isso, evito correr atrás de preço. Sou fiel a um supermercado”, revela.