A Secretaria de Estado da Saúde não atrasou qualquer repasse de verbas oriundas do Ministério da Saúde para a Associação Hospitalar de Bauru (AHB). O esclarecimento partiu de representantes da própria associação, que ontem participaram de audiência convocada pelo Ministério Público do Trabalho. A informação contraria alegações anteriores feitas pela entidade também na Procuradoria.
“Pelo contrário. A Secretaria do Estado da Saúde vem efetuando o pagamento em até 20 dias da apresentação das faturas pela AHB. Antes (o pagamento), era feito até 35 dias após a apresentação”, explica o procurador do trabalho, Luís Henrique Rafael. De acordo com ele, os dados foram obtidos com o diretor da Direção Regional da Saúde (DIR-10), Affonso Viviani Júnior, que também participou da audiência pública.
“Foi um grande avanço (o encontro) porque tivemos conhecimento de como são feitos os repasses. Eles (AHB) deixaram claro (o atraso por parte do governo do Estado). Me senti ludibriada”, diz Marilsa Sales Braga, presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimento de Serviço de Saúde em Bauru.
No entanto, de acordo com o coordenador financeiro da AHB, Deivis Manoel Gonçalves, realmente houve atraso de verbas, mas das repassadas diretamente pelo Ministério da Saúde à AHB, como as que mantêm o serviço de hemodiálise. Não teriam sido depositados no prazo previsto quase R$ 550 mil, montante similar ao necessário para pagar 993 funcionários, com média salarial de até R$ 800,00.
O restante são profissionais que ocupam cargo de gerência e chefia e eleva a folha de pagamento para cerca de R$ 660 mil, explica Gonçalves. Porém, além dos atrasos, o fluxo de caixa ainda teria sido prejudicado pelo acréscimo dos custos inerentes às atividades da associação, que depende de R$ 4 milhões para manter seu funcionamento.
Haveria um déficit mensal de cerca de R$ 300 mil, conforme adiantou anteriormente ao JC o presidente da AHB, Joseph Saab. A diferença, no entanto, ainda não teria resvalado na assistência prestada aos cerca de mil pacientes atendidos entre o Hospital de Base, Maternidade Santa Isabel e Manoel de Abreu.
No entanto, para pagar o quadro de funcionários, a associação dependeu da aprovação de financiamento, confirma Gonçalves. Representantes do Ministério da Saúde não foram encontrados ontem à noite para comentar o assunto.