O “racismo”, um dos piores defeitos do ser humano e hoje bastante exposto na mídia após o incidente ocorrido na partida de futebol do São Paulo contra o Quilmes, está inserido no preconceito religioso e étnico dos povos. É uma doutrina que prega a superioridade de certas raças e, no decorrer da história, tem sido usada na exclusão de grupos raciais, sob o pretexto da unificação de nações.
Já no século passado, países como os Estados Unidos e a África do Sul montaram a unificação entre diferentes povos e ideologias apoiados na exclusão dos negros. Do mesmo modo que a Espanha o fez sobre os judeus e a Rússia multirracial pós-kzarista na perseguição às classes dominantes pelos bolcheviques. No caso brasileiro, o período pós-abolição (1888), onde a exclusão foi menos acentuada, teve objetivo contrário: evitar conflitos que pudessem desunificar o País.
Em nosso País, ao suprimir a escravidão, a lei da abolição não foi acompanhada de medidas que pudessem preparar os ex-escravos e seus descendentes para ingressar no chamado mundo livre. Essa construção do país pós-abolição, como dissemos anteriormente, não foi baseada na exclusão legal dos negros, diferentemente dos outros países, mas a discriminação foi e continua intensa. Passado mais de um século, escamoteadas sob a aura da democracia racial, as diferenças continuam, daí a desigual participação entre negros e brancos na distribuição da renda nacional e no consumo do produto social. É a questionável invisibilidade do negro - a lógica da unificação pela exclusão!
Essa unificação pela exclusão é o ponto central do livro do pesquisador Antony M. Marx, “Making Race and Nation” (Construindo Raça e Nação) - um estudo comparativo do racismo nos Estados Unidos, África do Sul e Brasil.
Para o autor, sempre houve uma tentativa de excluir grupos como meio de consolidar alguma forma de unidade. A exclusão no Brasil pode ser descrita como menos extrema e com menos conflitos que nos Estados Unidos e na África do Sul, mas, sem ser legal, acabou levando aos mesmos resultados: desigualdades e discriminações para os negros e privilégios para os brancos.
Tito Pereira - CRO/DF-546