Historicamente, no mês de maio, precisamente no dia 13, o Brasil comemora a abolição da escravatura, quando a princesa Isabel, temporariamente ocupando o trono de seu pai, D. Pedro II, assinou a Lei Áurea, após muitos anos de embates político-econômicos entre escravocratas e abolicionistas. Essa lei libertava os negros do cativeiro, local onde eram submetidos a uma forma indigna de sobrevivência. No entanto, a liberdade passou a existir tão somente no papel, pois nunca foi respeitada, uma vez que não foi dada aos negros a condição humana de sobrevivência nem a oportunidade de trabalho, ficando excluídos da sociedade. Foram expulsos da maioria das fazendas e jogados nos cantos das cidades.
Continuaram a ser vistos, aos olhos da elite brasileira, de forma discriminatória e nunca lhes foi dado o mérito de construtores do Brasil, pois foram os braços fortes de homens e mulheres vindos da África, que ajudaram a construir o Brasil. Após extensos anos da chamada liberdade, continuam a sofrer a discriminação da exclusão.
A oportunidade de emprego, de alguma forma, é limitada, principalmente porque lhes falta a formação de uma boa educação básica e a chance de chegarem a uma universidade, tornando-se reféns da miséria social. É claro que não só os negros sofrem com a discriminação, a miséria e a exclusão social. Isso acontece também com grande parte da população brasileira.
Por isso, essa questão da discriminação racial e da falta de oportunidade aos negros é uma luta que vem se arrastando desde a abolição, pois o contraste que se criou em relação ao branco é muito grande e sabe-se que, por mais discursos e promessas que se façam, nada é feito de concreto para que a exclusão acabe. Entretanto, se, no transcorrer da história humana, tem-se notícias de movimentos sociais para colocar fim à exclusão, com os negros não é diferente; muitos líderes surgiram para a luta - Zumbi, José do Patrocínio, João Cândido - e muitos outros surgirão, até que tenhamos uma sociedade justa para todos.
A autora, Gisela Alves da Silva, é professora de história