Saúde

Doações despencam no inverno

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

A história se repete todos os anos e o grito de socorro também: está faltando sangue nos hemocentros do País. Basta cair a temperatura e os doadores simplesmente desaparecem. No Hemonúcleo de Bauru, a coleta sofreu uma redução de aproximadamente 50%. O nível dos estoques já preocupa e a situação pode ficar ainda pior quando chegarem as férias escolares de julho.

“Isso é histórico e é difícil explicar o porquê”, alega a médica Telma Cristina de Freitas, responsável pelo banco de sangue em Bauru.

Segundo ela, a situação, que sempre foi crítica, piorou com a inauguração do Hospital Estadual (HE). “A demanda aumentou muito e como boa parte dos pacientes vem de fora, seus familiares não estão trazendo a quantidade de doadores necessária e o sangue utilizado não é reposto. Hoje, estamos trabalhando no vermelho dia-a-dia”, alerta.

A médica comenta que o Hemonúcleo de Bauru, além de fornecer sangue para todos os hospitais e prontos-socorros da cidade, também abastece serviços de saúde de outros 11 municípios da região.

Para manter os estoques em níveis confortáveis, seriam necessárias 70 coletas por dia e a freqüência atual equivale a apenas 30% disso. “Nós precisamos garantir o mínimo de 50 doadores diários e hoje temos tido uma média de 25 coletas apenas”, informa.

Freitas comenta que boa parte dessas 25 doações vem de famílias de pacientes. “Porque quando tem alguém doente na família, as pessoas ajudam. Mas está faltando sangue. Precisa haver uma conscientização da população no sentido de doar sangue, independentemente de ter alguém solicitando ou não”, reforça.

Para doar sangue, basta ter boas condições de saúde e idade entre 18 e 65 anos. Homens podem doar a cada três meses e mulheres a cada quatro meses. “Se tivéssemos um bom contingente, como certeza não teríamos que apelar para as famílias dos doentes”, acrescenta.

Com a proximidade das férias, a preocupação aumenta ainda mais. Se por um lado os doadores viajam, por outro, o movimento nas estradas e o número de acidentes com vítimas só aumenta.

Questionada sobre a capacidade do município de atender um acidente de grandes proporções, Freitas garante que isso seria um desastre. “Teríamos que apelar para hemocentros da região que, com certeza, também têm problemas. Nossa referência é Marília, o hemonúcleo de Jaú também nos ajuda quando pode, nós ajudamos quando eles precisam. A dificuldade é comum, por isso, os hemonúcleos têm que trabalhar em conjunto”, ressalta.

A médica acrescenta que mesmo com os esforços do mundo científico em desenvolver técnicas que reduzam as necessidades de transfusão, o mundo dificilmente conseguirá eliminar completamente a necessidade de doação.

Ela explica que mesmo que se consiga estancar rapidamente uma hemorragia ou retransfundir parte do sangue perdido, sempre haverá situações em que o sangramento vai exigir reposição. Na opinião dela, é possível diminuir essa necessidade, mas nunca eliminá-la por completo.

Política nacional

A redução rotineira no número de doadores de sangue no Brasil levou o governo federal a instituir, no ano passado, uma nova estratégia de campanha. A intenção é dobrar o número de doadores até 2007.

Para isso, o Ministério da Saúde vai promover, todos os anos, em duas etapas, campanhas de incentivo às doações. No ano passado, a primeira etapa foi realizada no início do inverno e a segunda em novembro, durante a Semana Nacional do Doador Voluntário de Sangue.

Em 2004, a campanha contou com peças publicitárias veiculadas em emissoras de rádio e televisão, anúncios em outdoors e distribuição de panfletos com mensagens sobre a importância da doação.

A iniciativa , que gerou bons resultados (aumento de até 30% nas doações, em alguns lugares), deverá ser repetida esse ano.

• Serviço

O Hemonúcleo fica na rua Monsenhor Claro, 8-88, ao lado do Hospital de Base, e funciona de segunda à sexta-feira, das 7h às 11h30 e das 14h às 16h.

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