Ela já virou mania nacional. Pequena e até mesmo confortável pelo seu clima aconchegante, a edícula remete ao sonho dos brasileiros de ter a casa própria. Sua construção, rápida e barata, permite a seu futuro morador dar adeus ao aluguel, despesa que passa a ser investida no projeto do imóvel definitivo que vai abrigar a família.
Embora não haja números que comprovem o aumento significativo da demanda por esse tipo de construção, a edícula, na avaliação de especialistas, é uma opção inteligente para quem não tem recursos suficientes destinados à edificação da casa definitiva.
É o que pensa o presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru e Região (Assenag), Marcos Vanderlei Ferreira. “Sou totalmente favorável à construção de edículas para quem deseja realizar o sonho da casa própria”, defende. Além de sair do aluguel e investir o dinheiro na futura casa, os moradores de edículas têm a oportunidade de desenhar com mais tranqüilidade o projeto do imóvel, já que literalmente residem no fundo dele.
“É um tipo de construção que também permite a pessoa não entrar em financiamento, tanto para a sua edificação quanto para a implantação da futura casa, já que ele e a família têm onde morar”, observa Ferreira. Na opinião dele, os governos, através de suas Secretarias de Habitação, deveriam incentivar a construção de edículas.
Realizado o sonho da casa própria, a edícula acaba se tornando uma área de lazer para a família. É nela, na maioria dos casos, onde está instalada a churrasqueira. Em algumas situações mais requintadas, a construção se integra ao lado da piscina e passa a ser um anexo de apoio a casa.
O pedreiro João Carneiro, profissional que atua há 30 anos no mercado de construções, calcula que uma edícula de 40 metros quadrados, medida padrão para esse tipo de imóvel, custa cerca de R$ 15.600,00. Ele é dotado de um quarto, sala, banheiro, cozinha e área de serviço.
O custo da mão de obra sai, em média, R$ 90,00 o metro quadrado. Portanto, o futuro morador vai gastar R$ 3.600,00 com pedreiro. O material a ser aplicado na construção (piso, esquadrias, pintura, etc.), de padrão intermediário, tem custo variável de R$ 300,00 o metro quadrado, totalizando mais R$ 12 mil.
Início do sonho
Para uma boa parte da população brasileira, o sonho da casa própria realmente começa pelos fundos. Foi o que aconteceu com a assessora administrativa da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Ana Cristina Maia de Oliveira. Ela e o marido decidiram construir uma edícula no terreno que haviam adquirido para economizar o dinheiro do aluguel, na época R$ 300,00 ,mensais.
“Construimos 46 metros quadrados, o suficiente para abrigar quarto, banheiro, cozinha e área de serviço. Moramos dois anos e, aos poucos, fomos construindo a casa na frente”, conta. O casal, que mora no Jardim Colonial, hoje desfruta de uma casa de 153 metros quadrados. “Nosso maior problema era o desconforto, devido ao espaço que tínhamos à disposição. Mas valeu a pena”, afirma.
E foi nesse mesmo esquema que o aposentado Benedito Santana, morador do Parque Jaraguá, também construiu sua edícula, há dois anos. Ele e sua companheira, Neusa Soares de Oliveira, residiam numa casa de madeira construída no terreno de dez metros de frente por 25 de fundo.
“Devagarinho, pela falta de dinheiro, fui levantando a edícula no fundo. Quando terminou, derrubei a casinha de madeira e plantei de tudo um pouco no terreno que sobrou”, relata. Santana diz que até tem vontade de construir uma casa maior na área que sobrou do lote. “Mas com o que ganho, R$ 300,00 por mês, não vai dar. Pelo menos por enquanto”, lamenta.
Esparramadas por toda a cidade, é possível encontrar edículas de todos os tamanhos e gostos. Na Pousada I, por exemplo, Jussara de Oliveira alimenta a esperança de reformar e aumentar o imóvel no qual reside seus pais há 14 anos.
Dotada de dois quartos, sala, banheiro e cozinha, ela e os pais projetam a construção de pelo menos mais um quarto na edícula. Mas a ampliação dependerá de autorização da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab), já que no local havia um imóvel que precisou ser demolido.
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Adega e hidro
Em 1997, o casal Antonio Carlos Cordeiro e Silva e Jacimara Rodrigues projetaram uma edícula simples para morar. Construção iniciada, as complementações foram surgindo. A planta original fermentou. Virou uma superedícula de 240 metros quadrados acoplada aos fundos de um terreno de 600 metros quadrados.
A construção tem quatro pavimentos: subsolo, térreo, primeiro e segundo andares - este último dotado de um mirante. “Aproveitei a queda do terreno para fazer uma adega no subsolo”, conta Silva. “A idéia (da adega) surgiu quando eu e a Mara estávamos comendo pizza e tomando vinho num retaurante”, complementa.
Ele revela que o projeto inicial tinha 120 metros de área construída. “Mas fomos adequando a planta de acordo com a construção”. Já considerada uma casa, o imóvel possui um quarto suíte com banheira hidromassagem, closet e escritório anexo, ambos com varanda; lavabo, cozinha, sala, área de lazer com churrasqueira.
O terreno ainda oferece uma área de sobra de 260 metros quadrados, na qual o casal já projeta a construção de uma casa, que será acoplada à edícula. Limpeza não é problema. “Quando construímos, pensei nisso. Colocamos piso frio em tudo. Um paninho molhado resolve”, diz Jacimara.