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Pós-graduação cresce 82% em 5 anos

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Bauru consolida-se cada vez mais como pólo regional universitário. Além de suas universidades e faculdades, a cidade agora desponta como importante centro de cursos de pós-graduação em nível de mestrado e doutorado. Interessante observar o crescimento dos últimos cincos anos. De 1970 a 1999, Bauru teve implantados 17 cursos da área, mas de 2000 a 2004, esse número quase dobrou, com mais 14 cursos autorizados.

Em que pesem as exigências do Ministério da Educação para que as universidades implantem a pós-graduação, o crescimento verificado na cidade acompanhou a média nacional, segundo dados divulgados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Em 1996, ou seja, há oito anos, o País computava 1.083 cursos de mestrado reconhecidos e 541 de doutorado. No ano passado, até abril, a Capes havia autorizado o funcionamento de 1.955 cursos de mestrado e outros 1.033 de doutorado. O número de alunos também praticamente dobrou nos últimos oito anos.

Em 1996, 20.924 estudantes estavam matriculados em cursos de mestrados esparramados pelo País. No mesmo ano, os doutorados computavam 41.928 alunos. O ano de 2003 fechou com 40.204 mestrandos e 71.945 doutorandos.

Na avaliação dos técnicos da Capes, há um crescimento no setor que precisa ser absorvido em nível de cooperação pelos Estados, empresas estatais e privadas. A coordenadoria avalia que não há como as duas agências federais do setor (Capes e Conselho Nacional de Pesquisa, o CNPq) seguirem a lógica da demanda na pós-graduação.

Em Bauru, a Faculdade de Odontologia (FOB) da Universidade de São Paulo (USP) foi a pioneira na implantação dos cursos de pós-graduação. A FOB reinou na área até 1997, ano em que o campus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) implantou seu mestrado e doutorado na Faculdade de Ciências.

Em 1998, foi a vez da Universidade do Sagrado Coração (USC) receber da Capes a autorização para a abertura do curso de mestrado em Implantologia. A Instituição Toledo de Ensino (ITE) também conseguiu, em 2000, implantar o curso de mestrado na Faculdade de Direito.

Avaliação

Na avaliação do professor José Carlos Pereira, presidente da Comissão de Pós-graduação da USP/FOB, os números oferecem uma idéia do crescimento do ensino de pós-graduação no País.

“Um dos problemas é que esse crescimento é desequilibrado em qualidade e em localização. A absoluta maioria se concentra nas regiões Sudeste e Sul, com enorme vantagem para a Sudeste”, aponta.

Ele diz que as demais regiões, principalmente Norte e Centro-Oeste, têm poucos cursos de pós-graduação. “Outro problema é a absorção dos pós-graduados no mercado de trabalho. Segundo dados da própria Capes, o Brasil tem hoje aproximadamente 250 mil doutores, muitos dos quais também são mestres, o que equivale a três doutores para cada 100 mil habitantes. Essa proporção é muito pequena quando comparada com a de outros países, como Alemanha, com 30, Estados Unidos, com 16, e a Coréia do Sul, país emergente como o nosso, também com 16”, informa.

Contados os mestres e doutores trabalhando em instituições de ensino no Brasil, observa-se que 29% dos mestres estão nas universidade públicas e 41% nas privadas. “Quanto aos doutores, 41% encontram-se vinculados a instituições públicas e apenas 15% nas privadas. Há, portanto, um forte desequilíbrio entre a oferta de doutores e sua absorção pelas instituições de ensino, particularmente pelas privadas”, observa o professor.

Ele lembra que a Lei de Diretrizes Básicas (LDB) exige um corpo docente composto por 30% de mestres e doutores, sem distinção. “Com isso, as instituições privadas, aparentemente, preferem contratar mestres, que, em tese, lhes custam mais barato. Isso demonstra um evidente desequilíbrio de valores e de proposta de ensino e pesquisa, com forte prejuízo para a qualidade do ensino superior e para o mercado de trabalho para indivíduos com curso de pós-graduação”, analisa.

Pereira informa que, apesar da situação, a meta do governo para 2010 é de formar 15 mil novos doutores por ano. “A expectativa é que esses mestres e doutores sejam absorvidos mais fortemente pelo setor produtivo, empresas de serviço e indústrias, e não apenas pelo meio acadêmico. Sejam quais forem as metas, o crescimento do ensino em qualquer nível somente terá sentido se, antes da quantidade, atender ao critério da qualidade, sem o que o Brasil continuará caminhando na contramão de sua independência intelectual e tecnológica”, conclui.

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