Apesar da reportagem “Conselho de Cultura sofre alterações” se encontrar na capa do caderno JC Cultura, do dia 3 de maio de 2005, estaria melhor localizada nas paginas políticas, pois tal matéria é fruto de interesses políticos e não culturais. Não é mais um Conselho de Cultura, pois está agora atendendo interesses de poucos, que farão do conselho um instrumento para atingir seus objetivos políticos.
A substituição da palavra "deliberativa” pela “consultivo” não só desloca tal reportagem de caderno, do Cultura para o Política, como faz toda a diferença, a qual não foi percebida pelo secretário municipal de Cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre. A participação ou não da sociedade organizada em busca do interesse da coletividade faz, sim, toda a diferença. A sociedade civil organizada e consciente não tem mais necessidade de ser tutelada pelo poder público.
A efetivação democrática que seria concretizada através da participação popular da sociedade organizada, por intermédio de associações de classes (no caso a classe artística), um avanço conseguido na nossa constituição, como bem frisou o vereador Rodrigo Agostinho na referida reportagem: “a Constituição Federal garante a participação da sociedade civil organizada nesse processo”, foi extirpada através de emendas propostas e articuladas pelos vereadores Marcelo Borges e Paulo Madureira, e foram aprovadas pela maioria dos vereadores, por absoluta ignorância, no sentido etimológico. A única voz contrária foi a do vereador Rodrigo Agostinho.
Não podemos permitir que atitudes e pensamentos retrógrados como os professados por tais vereadores tenham prevalência sobre os avanços sociais de nossa Carta Magna, como foi bem alertado pelo nobre vereador Rodrigo Agostinho, que me pareceu a única atitude coerente, consciente e moderna da atual Câmara Municipal de Bauru, fazendo jus à sua posição de vereador mais votado.
Cabe agora ao prefeito Tuga Angerami a sanção ou o veto a lei proposta. Nos reportando aos compromissos de campanha e sabendo da coerência que sempre norteou suas atitudes, as quais prezam a participação ativa da sociedade organizada, fica fácil vislumbrar o fim desta historia, fazendo com que as artes voltem a ocupar o seu devido lugar, não na política e sim na cultura. Caso contrário, os avanços assegurados pela nossa Constituição serão substituídos pela antiga prática coronelista.
Carlos Eduardo Martins, RG 13.908 687, artista das Artes Cênicas e estudante de Filosofia