Li no Jornal da Cidade, entre estarrecida e triste, que vários gatos foram mortos cruelmente no Bosque da Comunidade na semana passada. Como pode ser possível que um ser humano, que se atribui a preferência por parte de Deus, possa tratar outras espécies de maneira tão cruel, desprezando o direito básico à existência. Não ignoro o direito de matar para a alimentação, porém, até nesse ato deve estar presente um sentimento de respeito e compaixão pela vítima.É certo que a vida tem valido pouco em nossos dias: mata-se por pouco, por qualquer motivo, por valores irrisórios.
No caso dos animais, alega-se o risco de transmissão de doenças. Arrisco afirmar que eles existem, sim, mas que os maiores transmissores de doenças aos outros indivíduos é o próprio homem. Inclusive com sua sujeira espalhada pelas ruas da cidade, pelos rios, pelo ar. Não pertenço ao grupo daqueles que gostariam de viver num mundo esterelizado, sem animais ou plantas por perto. Nutro um grande respeito pelas outras espécies. Mas me decepciono ao constatar que não são apenas as ruas de Bauru que estão esburacadas, provavelmente muitas almas também, porque não fosse assim, não veríamos tantos animais abandonados, doentes e famintos, entregues à própria sorte e dependendo de pessoas que lhes deêm pelo menos alimento, julgados inconsequentes por muitos.
Todos esses fatos me fizeram recordar duas frases maravilhosas escritas por pessoas especiais; a primeira de Victor Hugo diz: “Primeiro foi necessário civilizar o homem em relação ao homem. Agora é necessário civilizar o homem em relação aos animais”. A segunda, de Thomaz Jefferson, resume meu sentimento : “Eu temo pela minha espécie quando penso que Deus é justo.”
Sandra Regina Ferreira Sanches - RG 13.914.802-4